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Marcelo Delmanto Em fevereiro - 1 - 2012
Batman: The Return #01

Batman: The Return #01

Panini Comics/DC Comics
R$ 6,50 – Mensal
Formato Americano – 76 páginas
Novembro de 2011

Batman: Batman – The Return #01 – Nota: 8,5
Argumento: Grant Morrison
Arte: David Finch
Arte-Final: Batt & Ryan Winn
Cores: Peter Steigerwald

Com o seu retorno e a criação da Corporação Batman, Bruce Wayne traça planos e distribui missões para seus aliados. Uma dessas missões leva Bruce e Damian ao oriente médio para investigar o envolvimento de um xeique com experimentos biológicos capazes de criar mutações em seres humanos. Chegando ao local os heróis enfrentam uma criatura bizarra, furiosa e extremamente forte.

Em sua primeira atuação como Robin ao lado de seu pai, Damian sente dificuldades em aceitar a autoridade do Batman, o que leva Bruce a tomar a decisão de manter o garoto em parceria com Dick Grayson. Uma seita chamada Leviatã e seu misterioso líder são apresentados e prometem dar trabalho ao Batman num futuro próximo.

O retorno oficial de Bruce Wayne ao uniforme de Batman acontece aqui. É nesta aventura que o escritor Grant Morrison reapresenta o herói aos seus aliados mais próximos, numa espécie de reunião, e cria reações das mais diversas para cada um deles. Tudo acontece muito rápido, o que sugere que o assunto será explorado com mais detalhes nos títulos próprios dos personagens, mas já dá pra ter uma noção das mudanças que Bruce pretende promover a partir dali. A ideia principal gira em torno do fim do Batman solitário. Todas as ações dos vigilantes de Gotham serão coordenadas e receberão o apoio necessário em qualquer lugar do mundo. O investimento em equipamentos mais modernos e de caráter experimental, como os trajes a jato usados por Batman e Robin em sua ida ao Iêmen, serão o foco do departamento de Lucius Fox nas empresas Wayne, algo que remete fortemente aos filmes de Christopher Nolan.

Batman: The Return #01

A volta do Original

Em contrapartida a essa ideia de parcerias, Damian rejeita trabalhar com o pai alegando que este não confia em suas habilidades e o trata como um garoto qualquer. Neste ponto é interessante notar uma mudança no comportamento de Bruce, que aceita que errou na avaliação de Damian e admite que o novo Robin forma uma dupla mais eficiente ao lado de Dick, algo impensável para o Batman durão e inflexível de outros tempos. Apesar da preocupação com as ameaças constantes parece que o Batman pós-retorno está mais leve, conversando mais e sem querer carregar todo o peso do mundo em suas costas. Ainda é o velho Batman soturno de sempre, mas menos mítico e mais humano. Ponto pro Morrison.

O autor faz ainda uma homenagem às origens do Cavaleiro das Trevas ao iniciar a história com a clássica sequência do morcego invadindo a mansão Wayne, mas desta vez, sob o ponto de vista do animal. Muito criativo e inspirado.

Inspirada também é a arte de David Finch que cria belas cenas com seu traço robusto e detalhado, além de dar uma cara mais moderna ao antigo uniforme do herói com a elipse amarela em torno do símbolo com o morcego no peito. A página dupla que mostra os heróis com a Bat-Caverna ao fundo, e a sequência do resgate do filho do xeique, toda em tons de amarelo, são as melhores, em minha opinião.

Batman and Robin #16

Batman and Robin #16

Batman e Robin: Batman and Robin #16 – Nota: 8,0
Argumento: Grant Morrison
Arte: Cameron Stewart, Chris Burnham & Frazer Irving
Cores: Alex Sinclair & Frazer Irving

A origem sobrenatural do maquiavélico Dr. Hurt é finalmente revelada. Considerado a ovelha negra da dinastia Wayne, o vilão vive desde o século XVIII através de um pacto que fez com uma entidade maligna denominada Barbatos. Refugiado no México, Hurt levantou uma fortuna sob o codinome do chefão do crime El Penitente e foi fundador do clube de atividades ilícitas conhecido como Luva Negra e de um temido grupo de assassinos, os 99 demônios.

Retornando de sua aparente morte, Bruce Wayne assume novamente o manto de Batman e terá a difícil missão de ajudar seus pupilos a deter a ameaça do terrível Dr. Hurt e seu comparsa, o Dr. Porko.

Com pouco tempo para agir, os heróis se dividem em duas frentes: Dick e Damian vão para as ruas de Gotham para livrar a cidade do vírus criado pelo Dr. Porko, enquanto Bruce precisa derrotar o Dr. Hurt dentro da mansão Wayne e salvar a vida de seu leal amigo Alfred, capturado pelo vilão.

Após deter o Porko, Dick vai para um hospital tratar o ferimento a bala provocado pelo Dr. Hurt, e Damian segue para desarmar uma bomba plantada pelo Coringa num trem de Gotham City. Bruce sofre um bocado para vencer seu inimigo e no final precisa deixa-lo fugir para poder salvar a vida de Alfred. Mas, o Dr. Hurt não tem a chance de saborear sua liberdade por muito tempo uma vez que o vingativo Coringa o espera do lado de fora da mansão com uma recepção insanamente mortal. Para encerrar, Bruce Wayne anuncia publicamente que tem financiado as ações de Batman em Gotham ao longo dos anos e que pretende expandir essa proteção para o mundo com a criação da Corporação Batman.

Batman and Robin #16 variant

Batman and Robin #16 variant

Eu tinha grandes expectativas para o encerramento deste arco e o retorno triunfal de Bruce Wayne como Batman, e não me decepcionei. Grant Morrison fez um trabalho correto com o roteiro juntando as pontas soltas e entregando uma história coesa e de fácil entendimento. Achei a origem do Dr. Hurt meio macabra mas, enfim, é fiel ao caráter demoníaco do personagem. O final do Porko foi interessante e o confronto entre Bruce e seu antepassado maligno teve bons momentos. Mas o melhor foi mesmo a sequência quase surreal do Coringa dando um fim ao cruel doutor. E tudo o que ele precisou para fazer isso foi de uma simples casca de banana.

As cenas que mostram Bruce tentando aceitar a nova dupla dinâmica são divertidas e a iniciativa em torno da existência de vários Batmen pelo mundo é bastante promissora. Acredito que esse tema será melhor explorado na série Corporação Batman, escrita por Grant Morrison e que a Panini deu sinais de que pretende lançar por aqui em encadernados, mas certamente a existência de vários Batmen deverá respingar também nos demais títulos do morcego até a chegada do reboot, quando a DC decidiu que só haveria um único Batman.

Os desenhos, produzidos por três diferentes artistas, são bons e mantém a regularidade da primeira à última página. O trabalho de Frazer Irving se destaca um pouco dos demais pelo estilo diferenciado do artista no uso das cores, mas essa diferença não chega ao ponto de prejudicar a leitura.

A cena mais impagável: Ver o comissário Gordon chegando na delegacia e gritando palavras de ordem trajando um vestidinho cor-de-rosa, não tem preço.

Batman: Streets of Gotham #14

Batman: Streets of Gotham #14

As Ruas de Gotham: Streets of Gotham #14 – Nota: 9,0
Argumento: Paul Dini
Arte: Dustin Nguyen
Arte-Final: Derek Fridolfs
Cores: John Kalisz

Um antigo gangster, que conheceu os pais de Bruce Wayne, cumpre pena e sai da prisão com planos de eliminar o milionário mais conhecido de Gotham. Enquanto isso, Silêncio tenta colocar em prática seu plano de libertar perigosos criminosos do Arkham, em especial uma psicopata e assassina conhecida como Imitadora. Ao revirar os diários de sua mãe, Thomas Elliot resgata importantes memórias do passado que mostram o primeiro e desastroso encontro entre Thomas Wayne e Martha Kane, e o desejo da futura senhora Wayne em construir uma clínica para ajudar os doentes mais necessitados.

Escrever uma história do Batman onde o herói não aparece atuando em nenhuma cena e ainda assim produzir um material de altíssima qualidade não é pra qualquer um. É por isso que eu elogio tanto o trabalho do escritor Paul Dini. O autor sabe como transformar coadjuvantes em figuras únicas e de personalidade marcante e isso ocorre com praticamente todos que participam desta história. O destaque principal vai mais uma vez para Thomas Elliot, ou Silêncio, que desde que se submeteu a uma cirurgia para tornar seu rosto idêntico ao de Bruce Wayne causou uma confusão atrás da outra para os vigilantes de Gotham.

Batman: Streets of Gotham #14

Delírios de um vilão

Mesmo vigiado de perto por aliados do Morcego, Elliot não desiste da ideia de se vingar de seus inimigos. Essa determinação faz parte do carisma do personagem e pode até fazer com que o leitor torça para o vilão em alguns momentos pra ver o que acontece a seguir. Menos carismático mas igualmente motivado é o mafioso Judson Pierce que parece nutrir um profundo ódio pela família Wayne.

É muito bacana ver os pais de Bruce ainda jovens, num período anterior ao seu casamento, e imaginar como duas pessoas tão diferentes podem ter se apaixonado. Os pais de Thomas Elliot também aparecem nessas antigas memórias, além de algumas pessoas importantes para o futuro do Homem-Morcego, como John Zatara, pai da maga Zatanna, e a Dra. Leslie Thompkins, que é citada por Martha Kane.

A trama é dividida em três linhas distintas de narrativa, uma para Judson Pierce, outra para Thomas Elliot, e uma terceira para ilustrar os fatos ocorridos no passado, mas a tendência é que aos poucos tudo seja mesclado rumo a um final único e coerente, como é de costume quando se trata de Paul Dini.

Parceiro habitual de Dini desde o início da série, o desenhista Dustin Nguyen continua realizando um excelente trabalho com seu traço cartunesco e limpo. O destaque desta edição vai para o devaneio de Silêncio, que expressa o desejo do vilão em se libertar de seus guardiões, muito bem retratado por Nguyen.

Marcelo Delmanto, autor deste review, escreve também em seu blog pessoal, confira!
Categorias: DC Comics, Reviews

2 Responses to " Batman #108 "

  1. Cello Carioca disse:

    Não gosto dos desenhos nas revistas do Batman, mas só eu escrevo aqui rs,.,,,,

  2. Emissario disse:

    Essa capa do batman atrás do robin foi a pior que já ví em decadas.

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