Contagem Regressiva Para Crise Infinita #03
Panini Comics / DC Comics
R$ 8,90 – Minissérie em 6 edições
Formato Americano - 100 páginas
por Rafael Redondo
Vilões Unidos: Villains United #03 – Nota 8,5
Argumento: Gail Simone
Arte: Val Semeiks
Arte-final: Prentis Rollins
Cores: Sno-Cone
Essa história é a maior prova que gibi não é só coisa de criança. Os integrantes do Sexteto Secreto, capturados na última edição, são torturados e interrogados, como punição por não se juntarem à Sociedade Secreta. E que castigo. A história é perturbadora e apresenta algumas das cenas mais violentas de uma revista mainstream da DC Comics (não inclua a Vertigo aqui).
Gail Simone mais uma vez faz um trabalho brilhante, focando a história num Sexteto Secreto sendo exaurido física e emocionalmente, e alternando momentos ultra-violentos, como a luta do Homem-Gato com o Capitão Nazista, com o bom-humor, vide o jogo de Banco Imobiliário dos vilões.
Sabiamente a escritora continua a dar pistas ao mesmo tempo em que cria novos mistérios. Aqui ficamos sabendo um pouco do passado do Boneco de Pano e do Parademônio, e também a motivação do Pistoleiro para estar no grupo, mas as dúvidas em relação a Escândalo crescem a cada quadro.
Mesmo com toda essa dose cavalar de diversão e ação, o que eleva Vilões Unidos um degrau acima das demais é a excelente caracterização que Simone faz dos personagens. O milagre que ela fez ao revitalizar o Homem-Gato, a conturbada relação deste último com o Pistoleiro, a hilária e bizarra dupla Parademônio-Boneco de Pano, uma Lince muito humana (ela até chorou aqui, vejam só), além da misteriosa Escândalo, do manipulador Lex Luthor (bem retratado após muito sofrer nas mãos de Jeph Loeb), o conflito interno enfrentado por Adão Negro... Ufa, paremos por aqui.
A arte de Semeiks fica um pouco aquém do trabalho de Eaglesham, mas é competente ao retratar toda a violência, sangue e faces iradas e aterrorizadas que permeiam a história. As melhores cenas são as protagonizadas pelo Homem-Gato, quando este enfrenta o Doutor do Crime e o Capitão Nazista. O ódio no olhar, a violência, o medo retratado... Tudo muito bem feito.
Projeto O.M.A.C.: The O.M.A.C. Project #03 – Nota 8,5
Argumento: Greg Rucka
Arte: Jesus Saiz, Cliff Richards e Bob Wiacek
Cores: Hi-Fi Desing
Enquanto Batman sobrevive por pouco ao O.M.A.C., Sasha é capturada. Os heróis partem à procura do Irmão-Olho, mas Max tem uma arma secreta incrivelmente poderosa. E bota poderosa nisso.
Greg Rucka é um estupendo contador de histórias e provou isso trabalhando com a Trindade da DC Comics em suas revistas mensais: Detective Comics, Wonder Woman e Adventures of Superman. O roteirista volta a trabalhar com os três personagens nessa edição e mostra que os conhece como poucos e os desenvolve como ninguém.
A forma como ele fez Batman cair do pedestal ao qual o próprio homem-morcego se alçou mostra que o personagem não é tão infalível quanto pensava ser. E qual não foi minha surpresa ao ver Batman surpreso com os OMAC’s. Se ele não é o criador dessas coisas, então quem é?
Rucka também sabe ser sutil quando quer. Será que Batman entendeu o "Maxxxxrg!" que Sasha soltou ao desmaiar? E após salvar Batman, um dissimulado Superman que não consegue seguir os O.M.A.C.’s dá mostras do que teremos pela frente.
Embora essa edição não tenha o clima de suspense que fez a fama dos números anteriores, a história continua em alto nível ao mostrar como cada grupo de heróis está lidando com a situação. Enquanto a Liguinha de Gardner e Gladiador Dourado se une, a LJA de Batman, Superman e Mulher-Maravilha se separa aos poucos com acusações, mentiras e desconfiança.
Cliff Richards e Bob Wiacek se juntam a Jesus Saiz e mantém o ótimo trabalho de então. A cena do Superman resgatando Batman é icônica. Já a capa de Ladrónn não é das mais inspiradas e, como mostram os extras da edição, ele teve idéias melhores.
Não se esqueçam de ler Superman #46, em que teremos a saga Sacrifício, de importância vital para Projeto O.M.A.C. Se a DC Comics cometeu a infelicidade de publicar uma história tão importante fora da minissérie, a Panini acertou ao publicar a história da Mulher-Maravilha junto com as do Superman, evitando que o fã tivesse que comprar também a revista Superman/Batman para acompanhar a saga.
Dia de Vingança: Day Of Vengeance #03 – Nota 7,0
Argumento: Bill Willingham
Arte: Ron Wagner
Arte-final: Dexter Vines
Cores: Chris Chuckry
Capitão Marvel segue numa épica batalha contra o Espectro, enquanto nossos heróis místicos duelam com Eclipso.
Hmmm, sinto que fui enrolado nessa história. Embora finalmente pude ver Demônio Azul, Retalho, Magia e Jim Rook (podemos oficializá-lo como Mestre da Noite?) partindo pro pau contra Eclipso, a batalha do Capitão Marvel se arrasta contra o Espectro, lembrando aquela interminável batalha de Goku contra Freeza em Dragon Ball Z. Aliás, a "união de forças mágicas" de cada ser vivo lembra demais a Geikidama usada pelo próprio Goku contra um vilão da série.
As peripécias do Detetive Chimp e Sombra da Noite, embora com diálogos divertidos, também é pura enrolação. Aposto que quando Bill Willingham apresentou sua história, que deveria ter umas três edições, os editores disseram "é pra ser em SEIS edições, estica isso aí". E foi o que o roteirista fez, colocando diálogos inúteis que pouco ajudam no desenvolvimento dos personagens.
Mas Willingham tem o mérito de criar uma química irresistível entre os personagens principais. Demônio Azul, Magia, Retalho e os demais se completam de uma forma que parecem ter sido criados pra agirem juntos.
Ron Wagner e Dexter Vines fizeram um ótimo trabalho e não ficaram devendo nada para os artistas fixos da minissérie. A capa de Walt Simonson é a melhorzinha dele até agora, mas não justifica sua escolha para capista de uma revista que deveria chamar a atenção do leitor, por trazer personagens desconhecidos da maior parte dos leitores, e não há melhor chamariz que uma capa bonita.
Guerra Rann-Thanagar: Rann-Thanagar War #03 – Nota 7,5
Argumento: Dave Gibbons
Arte: Ivan Reis
Arte-final: Marcelo Campos
Cores: John Kalisz
A guerra segue em inúmeras frentes. No Mundo-Trono, Starman e Tigorr tentam proteger os dispositivos de raios zeta. Adam Strange e os Gaviões tentam controlar a situação em Polara. Já em Thanagar, Kyle Rayner e Capitão Cometa enfrentam Onimar Synn.
Aqui não temos o aparecimento de novas personagens, dessa forma Dave Gibbons começa a realmente desenvolver a trama, tornando a história mais estável e inteligível. Assim, passamos a entender a motivação dos thanagarianos incitados pelo culto dos Sete Demônios e qual seu plano.
Talvez os leitores fiquem um pouco confusos com a participação do Gavião-Negro nessa saga caso estejam lendo o arco Crise de Consciência na revista LJA. Fica claro que as revistas da DC Comics não estão alinhadas cronologicamente. As histórias da revista solo do Gavião Negro publicadas durante essa minissérie também não estão no mesmo momento cronológico.
O trabalho da dupla brasileira Ivan Reis e Marcelo Campos, os únicos artistas que não foram substituídos ou auxiliados nessa terceira edição, continua belíssimo. Sem dúvida é o gibi mais belo graficamente dos últimos anos. Depois de jogá-los em um gibi ridículo como Action Comics (que fique bem claro, ridículo por causa das qualidades das histórias, não do personagem), a DC estava em dívida com os brasileiros, e uma série épica como essa foi um bom presente.