Crise de Identidade #02
Panini Comics/DC
R$ 5,50 - Mensal
Formato Americano - 44 páginas
por Fernando "DarthOracle" Piccolo
Crise de Identidade: Identity Crisis #02 - Nota: 10,0
Argumento: Brad Meltzer
Arte: Rag Morales
Arte-final: Mike Bair
Cores: Alex Sinclair
Não é todo dia que você pode ler e acompanhar uma nova abordagem de personagens que estão aí por décadas a fio. Crise de Identidade, especialmente nessa segunda edição, dá continuidade à visão intimista e familiar descarregada na primeira edição, colocando o leitor no meio de uma "briga de família".
A presença de Wally West e de Kyle Rayner, atuais Flash e Lanterna Verde, além de servir à clara intenção de "refazer" a formação da Liga da Justiça à época dos acontecimentos entre Sue Dibny e o Doutor Luz (que irei abordar com mais calma no próximo parágrafo), serve também àquele momento no qual a discussão "de casa" passa a ter a presença dos "filhos crescidos", aqueles que, mesmo tendo provado seu valor e o seu crescimento, sempre serão encarados pelos "tios" como "os moleques". Melhor ainda são as insinuações sobre outros erros cometidos (e devidamente ocultados), que levam à decepção dos "garotos" em relação ao comportamento daqueles que lhes serviam como inspiração. Como dizia John Lennon, "o sonho acabou, vamos encarar a realidade".
Bastante interessante também a "reunião" dos vilões, no antigo satélite da Gangue da Injustiça. Se vocês repararem bem, não há vilões malucos por ali, como o Coringa. Só bandidos "profissionais", aguardando o melhor momento de atacar, e sempre trocando informações sobre seus adversários. Com mais destaque dessa vez, apesar de já ter aparecido na edição anterior, está o Calculador, a versão "do mal" da Oráculo. E agora vamos com calma falar sobre esse personagem, praticamente recriado por Brad Meltzer para a série.
Noah Kuttler, o Calculador, era um vilão patético dos anos 70, que vivia apanhando de heróis de quinta categoria, como o Starman alienígena (Mikaal Tomas) e Air Wave. O uniforme era praticamente uma "calculadora" (com teclado no peito e tudo!), cujos botões, quando pressionados, criavam construtos de energia. A última aparição da figura antes de Crise de Identidade foi nas aventuras da Justiça Jovem (não publicadas por aqui, obviamente) quando, apesar de não mostrado, ele se cansou do mico e decidiu atuar como informante e agenciador de pilantras. Se acostumem, porque o Calculador vai assumir um papel cada vez mais relevante no Universo DC.
Falemos agora da cena mais chocante da série (até aqui), provavelmente uma das mais impactantes também de história dos quadrinhos de super-heróis. Aliás, uma coisa que tem me incomodado bastante nessa edição nacional de Crise de Identidade é o fato da revista ser indicada para "maiores de 18 anos". Ora essa, o que há na revista que já não seja mostrado exaustivamente na televisão ou no cinema? Não há nada explícito. Não há nada ofensivo. Já se sabe que gibis não são direcionados exatamente para crianças. Há gibis por aí, sem nenhuma indicação de "recomendável" com situações muito piores, e se você leitor tem mais de 25 anos, provavelmente vai se lembrar que Camelot 3000 e Monstro do Pântano ? séries com temas tão ou mais pesados do que Crise de Identidade ? foram publicadas em "Superamigos". Mas vou me ater à violência retratada, uma das maiores, senão a maior, que pode sofrer uma mulher e que leva à conseqüências extremas por parte de seus amigos. Nada tão heróico, nada a ser registrado e mostrado com orgulho como um grande feito. Ao contrário, algo que será escondido e que jamais deveria ser revelado. Como eu disse no review da primeira edição, não consigo imaginar reações mais humanas do que as que vêm sendo mostradas nessa série.
Na próxima edição, o couro vai comer!