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Universo Marvel #54
© David Dornelles
Hulk #08 Panini Comics/Marvel Comics
R$ 7,50 ? Mensal
Formato Americano - 100 páginas
Dezembro de 2009

Hulk: Hulk #08 ? Nota: 0,0
Argumento: Jeph Loeb
Arte: Art Adams; Frank Cho
Arte-final: Walden Wong; Frank Cho
Cores: Peter Steigerwald, da Aspen; Jason Keith

Lado A: Joe Tira-Teima/Hulk se choca com Miss Marvel e Sentinela, enquanto Cavaleiro da Lua tenta lidar com a infestação de Wendigos. Lado B: Mulher-Hulk e as Hulketes ganham reforço para dar o troco no Rulk.

Hulk #08

É bem difícil tentar revisar uma história a qual você lê e, conforme a acompanha, questiona cada quadro que a compõe. É bem difícil olhar pra personagens como Miss Marvel, Sentinela e Cavaleiro da Lua priorizarem um confronto com Hulk quando uma ninhada de Wendigos percorre Las Vegas. E é bem difícil não ler cada diálogo e narração criada por Loeb sem sentir que esse tipo de publicação seria o tipo de coisa a ser combatida no mercado de quadrinhos, porque ela não é só uma história ruim. Ela não é só uma péssima escolha de tratamento para um personagem como o Hulk, mas ela é algo que prejudica os quadrinhos enquanto mídia, enquanto veículo, enquanto manifesto cultural.

Eu sei que o meu tom aqui pode estar um pouco exagerado, extremista, mas chega um momento em que a coisa se torna inviável. As coisas têm que ter um começo, meio e fim. Se algo sai de um ponto e vai chegar em outro, deve ter necessariamente uma razão, um objetivo. E qual é o objetivo deste título? Ou melhor, desta parte do título?

Hulk #08

O Demolidor enfrenta problemas que afetam sua vida pessoal, profissional e heróica, há vilões bem definidos, tramas orquestradas e desenvolvimento que percebemos levar a algum lugar. O Hércules está diante de um problema que o coloca numa mesma situação que o Demolidor, mas e o Hulk? Não há objetivo, sentido, razão. É um momento vazio, algo que eu considero ser muito pior que ruim. Até mesmo o Rulk tem um fiapo de consistência.

A Mulher-Hulk juntou um grupo de marombadas pra encher o Rulk de porrada. É a melhor trama do mundo? Não? A mais simples? Talvez. Uma trama imbecil? Claro. Mas há-um-fio-condutor para as ações dos personagens e, por mais que não concordemos, elas se explicam e justificam. E percebam a frivolidade e previsibilidade da história, não satisfeito em ter três mulheres para Frank Cho desenhar, Loeb ainda convoca as Hulketes substitutas para terminar esse show de anabolizantes.

Eu daria nota 5 apenas por causa dos desenhos, apesar de minhas restrições a Frank Cho, mas meu nojo com este título é tão grande que prefiro ser intolerante a ser complacente.

Daredevil: The Man Without Fear #112

Demolidor ? O Homem Sem Medo: Daredevil ? The Man Without Fear #112 & #113 ? Nota: 9,0
Argumento: Ed Brubaker
Arte: Michael Lark
Arte-final: Stefano Gaudiano
Cores: Matt Hollingsworth

Mercenária (Partes 02 e 03) ? Lorde Hirochi e Mercenária continuam a colocar em prática seu plano para o Tentáculo e ele envolve os amigos próximos do Demolidor, que está enfrentando uma série de acusações de violência e assassinato nas ruas da Cozinha do Inferno, mas antes de lidar com isso, ele terá que se acostumar com a presença de Mestre Izo.

Em uma história lenta, mas em nenhum momento tediosa, Brubaker vai, meticulosamente, desdobrando as partes deste enorme quadro que compõe a atual trama. Os elementos são muitos, desde pequenas engrenagens do Tentáculo até as pequenas engrenagens da vida de Matt Murdock. E por se tratar de um universo cheio de relações próximas e peculiares, o autor investe muito do seu tempo e dos diálogos nos personagens, dosando na medida certa as necessárias cenas de ação, que são consideráveis.

Brubaker tem demonstrado ter um cacoete (sem nenhum juízo de valor sobre a palavra) muito interessante, que eu vejo sempre presente no Universo DC: a questão do legado. Em Capitão América o autor resgatou Bucky e o reinventou para assumir o manto de seu mentor. Em Punho de Ferro ele, e Matt Fraction, floreou a mitologia do personagem não só com conceitos e leis próprias, mas também com antecessores. Aqui, Ed faz a mesma coisa com a Mercenária, colocando-a como uma discípula do original, mesmo que indireta e superficialmente. Outro momento de igual característica é a inclusão do novo personagem, o Mestre Izo, que tudo indica ter sido o sensei de um certo mestre que ensinou uma jovem criança cega a superar uma tragédia.

Daredevil: The Man Without Fear #113

E é nestes dois novos personagens, Mercenária e Mestre Izo, que Ed Brubaker faz um trabalho irrepreensível de apresentação, caracterização e condução. Em poucas páginas já podemos ?ler? a essência de Izo e amá-lo e odiá-lo ao mesmo tempo por sua personalidade. Quanto à Mercenária, dois momentos a marcam: sua aparição civil, algo inesperado, e seu confronto com Demolidor, no qual suas habilidades marciais ficam evidentes para o Homem Sem Medo e para o leitor.

Mas o melhor foi guardado para o final, onde vemos desnudado o plano de Lorde Hirochi e percebemos suas implicações para a vida de Matt e seus amigos quando a Tigresa Branca termina a edição no chão de seu próprio apartamento, após ser assassinada pela Mercenária.

Michael Lark retorna e pouca diferença se percebe em relação a Clay Mann. O talento do desenhista pode ser visto a todo momento nas lições básicas de narrativa e composição de uma hq, mas quando um artista consegue mostrar visualmente sem nenhuma dificuldade as diferenças de estilo de luta entre Tarantula Negra (brutalidade), Punho de Ferro (leveza) e até mesmo o Demolidor (acrobático) é porque ele consegue ir além do lugar comum.

The Incredible Hercules #124

O Incrível Hulk: The Incredible Hércules #124 - Nota: 8,5
Argumento: Greg Pak & Fred Van lente
Arte: Clayton Henry
Arte-final: Salva Espin
Cores: Raul Treviño, Guru eFX & LeeLoughridge

Amor e Guerra (Parte 04) ? De posse do ônfalo, Artume vai até o Axis Mundi, atualmente em Washington, para libertar Atlas e cumprir o ritual para ganhar controle sobre a realidade.

Os autores pi-ra-ram nesta edição. Pareceu uma competição para ver qual núcleo poderia render as maiores zoações. Desde o monumento fálico em Washington até estratégias de lutas sujas, Greg Pak e Fred Van Lente seguem se divertindo e sacaneando tudo, até uma versão paródia de Dinastia M eles fizeram. Um timing pra humor poucas vezes visto em hq?s e, mesmo não conhecendo, mas ouvido falarem, me parece que a Liga Cômica de Giffen seguia uma linha de escárnio como esta. Deixo a palavra com vocês para discorrerem sobre o assunto.

As excelentes dinâmicas entre personagens continuam, o trabalho de pesquisa e criatividade que mescla mitologia e ?realidade? também. Assim como a estupidez sadia de Hércules. Enfim, um título com qualidade constante e que só tem agregado mais valor a si.

Clayton Henry faz um ótimo trabalho novamente e, pelo que entendi, Salva Espin não seria mesmo um arte-finalista, como havia imaginado, mas outro ilustrador, pois as últimas páginas diferem bastante, mas ainda assim, não compromete o resultado final.

Melhor Interjeição: ?HAH!?
Hércules usando toda a sua sapiência para se expressar nos momentos de adrenalina.


por Kyle em 04/02/2010
De fato, David, Pak e Van Lente estão com um timing perfeito no humor. Eles realmente zoam com os núcleos da Marvel, misturando a cronologia deste universo com fatos históricos e mitologia.

E o que vem me surpreendendo é a facilidade como eles repassam tudo isso ao leitor. Caraca, que ritmo esses caras desenvolvem na série, não? Então, o que fica evidenciado nisso tudo é a extrema habilidade narrativa da dupla.

Lembro-me de ter dito em algum review de Hulk Contra o Mundo, que Pak tirava de situações batidas, boas sacadas de humor, e que isto casaria muito bem com o Homem-Aranha. Pois bem, continuo com este sentimento. Fazer humor com o Peter não é somente colocá-lo como um nerd abobalhado, e sim, retirar de situações cotidianas todo humor que está implícito ali.

Quanto a Fred Van Lente, acho que o cara já dá sinais de ter mesmo grande talento. Na revisão anterior, salvo engano, você disse que o título não seria o mesmo sem ele. Concordo plenamente contigo. Eu tinha verdadeira birra dos Zumbis Marvel, todavia, depois que ele assumiu a série, tenho me divertido bastante.

Espero mesmo que a Marvel saiba utilizar este promissor roteirista. E nesse mote, creio que a editora tem outro roteirista em quem deveria apostar mais um pouco: Christos Gage.
por Emissario em 04/02/2010
E não é o Tal Valente que vai pro Aranha?
Aranha tá em boas mãos. Desde que o quefisto mantenha a devida distancia. rsrsrs
por Kyle em 04/02/2010
"E não é o Tal Valente que vai pro Aranha?
Aranha tá em boas mãos. Desde que o quefisto mantenha a devida distancia. rsrsrs"

Isso aí Emissário, o Van Lente já faz parte do time de escritores do Aranha.
Eu estou otimista, embora saiba que ele tem de desenvolver suas tramas de acordo com BND. Então, essa distância do Quefisto pode não ser tão grande como gostaríamos. hehehe...
Mas vamos aguardar, pois o cara tem talento.
por Jackson em 04/02/2010
Será? Eu acho que BND é uma amarra pros escritores. Amarra-os na mediocridade. Mas vamos ver. Hércules é realmente divertido, o que tem sido o fiel da balança pra eu comprar Universo Marvel, já que fora ele temos uma obra prima, um lixo e um whatever.
por hamenes em 04/02/2010
Galera me desculpem, mas eu estou gostando do Rulk, me faz ri, uma paródia daqueles tipos durões, so que tirado a cerebral. Bwahahahhahahahahah!!!!!!!!!!!!!
por Orpheu em 04/02/2010
Eu também me divirto com o Rulk. Talvez por não esperar nada da história, acabo dando risada das tosqueiras do Loeb.
por eronfreitas em 05/02/2010
eu acho que as historias do Peter David serim melhores.
por Jackson em 05/02/2010
Mesmo sem esperar nada, é um humor que não consegue me divertir, acho bobo demais. Só teve uma vez que ri valendo, quando o Vigia tagarelava os whatevers habituais, e o Rulk manda um "Ah, cala boca!" e senta o cacete nele. Deve ser porque sempre odiei o Vigia, personagem mais nada a ver, parece um elemento da DC perdido no Universo Marvel.
por Emissario em 08/02/2010
"...parece um elemento da DC perdido no Universo Marvel."

guhauhauhauahua. Rir litros aqui. O pior é que eu até gosto do vigia, pra mim ele é um personagem iconico da marvel. Até em Fringe copiaram a ideia, vide os observadores que são carecas, esquisitos e não podem interferir nos assuntos, apenas observar.
por Jackson em 09/02/2010
Pior que é, Emissario... o Observador é o Vigia sem o cabeção. Mas eu falei que ele parece um elemento da DC porque pra mim, todas essas porras cósmicas, trocentas realidades paralelas sempre colidindo, seres universais inexplicáveis, isso é a cara da DC. Marvel é pé no chão, ambiente urbano, sarjeta, becos imundos de NY (me empolguei agora).
por Emissario em 10/02/2010
pombas mano, o pior que esse lance de realidades paralelas convergindo tá começando a impestiar o universo marvel também.
Temos o Aranha universo bolha, zumbis no 616, quarteto do Millar (que ora parece ser outra realidade alternativa, ora não), e por ai vai. Odeio esse tipo de coisa.
E falando sobre fringe, os roteristas devem amar uma HQ da Marvel e DC, pois os lances da R.A. é o mote principal da série.
por Jackson em 10/02/2010
Mas do jeito que usaram até agora, o lance de realidades alternativas em Fringe até tá legal. A história envolvendo os Bishop é GENIAL! Só me irrita um pouco na série o lance de "caso da semana". Aparece algo importante, não é explicado, e no ep seguinte é completamente ingorado. Quando o tema é retomado mais pra frente, já faz muito tempo e vc nem lembra mais. Essa falta de continuidade é algo MUITO perigoso pra seriados...
por Emissario em 10/02/2010
Pior é a Warner que anuncia um episodio como inédito, ai vou lá assistir e descubro que faz parte da 1ª temporada ainda, é mole.
Alias, fiquei todo perdido ontem. Assistir Fringe, mas então aparece o fulano do FBI, amigo da Olivia, que havia sido morto e substituído por um replicante. Não havia visto esse episodio antes, então fiquei sem saber se era inédito ou não, ou se perdi alguma coisa pelo caminho.
por Jackson em 11/02/2010
A culpa foi da Fox americana. O episódio era pra ser da 1a temp, não passou na época, e resolveram passar agora. Sei lá por que. Daí o furo de aparecer o cara vivo.
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