
Panini Comics/Marvel Comics
R$ 7,50 ? Mensal
Formato Americano - 100 páginas
Dezembro de 2009
Hulk: Hulk #08 ? Nota: 0,0
Argumento: Jeph Loeb
Arte: Art Adams; Frank Cho
Arte-final: Walden Wong; Frank Cho
Cores: Peter Steigerwald, da Aspen; Jason Keith
Lado A: Joe Tira-Teima/Hulk se choca com Miss Marvel e Sentinela, enquanto Cavaleiro da Lua tenta lidar com a infestação de Wendigos. Lado B: Mulher-Hulk e as Hulketes ganham reforço para dar o troco no Rulk.
É bem difícil tentar revisar uma história a qual você lê e, conforme a acompanha, questiona cada quadro que a compõe. É bem difícil olhar pra personagens como Miss Marvel, Sentinela e Cavaleiro da Lua priorizarem um confronto com Hulk quando uma ninhada de Wendigos percorre Las Vegas. E é bem difícil não ler cada diálogo e narração criada por Loeb sem sentir que esse tipo de publicação seria o tipo de coisa a ser combatida no mercado de quadrinhos, porque ela não é só uma história ruim. Ela não é só uma péssima escolha de tratamento para um personagem como o Hulk, mas ela é algo que prejudica os quadrinhos enquanto mídia, enquanto veículo, enquanto manifesto cultural.
Eu sei que o meu tom aqui pode estar um pouco exagerado, extremista, mas chega um momento em que a coisa se torna inviável. As coisas têm que ter um começo, meio e fim. Se algo sai de um ponto e vai chegar em outro, deve ter necessariamente uma razão, um objetivo. E qual é o objetivo deste título? Ou melhor, desta parte do título?
O Demolidor enfrenta problemas que afetam sua vida pessoal, profissional e heróica, há vilões bem definidos, tramas orquestradas e desenvolvimento que percebemos levar a algum lugar. O Hércules está diante de um problema que o coloca numa mesma situação que o Demolidor, mas e o Hulk? Não há objetivo, sentido, razão. É um momento vazio, algo que eu considero ser muito pior que ruim. Até mesmo o Rulk tem um fiapo de consistência.
A Mulher-Hulk juntou um grupo de marombadas pra encher o Rulk de porrada. É a melhor trama do mundo? Não? A mais simples? Talvez. Uma trama imbecil? Claro. Mas há-um-fio-condutor para as ações dos personagens e, por mais que não concordemos, elas se explicam e justificam. E percebam a frivolidade e previsibilidade da história, não satisfeito em ter três mulheres para Frank Cho desenhar, Loeb ainda convoca as Hulketes substitutas para terminar esse show de anabolizantes.
Eu daria nota 5 apenas por causa dos desenhos, apesar de minhas restrições a Frank Cho, mas meu nojo com este título é tão grande que prefiro ser intolerante a ser complacente.
Demolidor ? O Homem Sem Medo: Daredevil ? The Man Without Fear #112 & #113 ? Nota: 9,0
Argumento: Ed Brubaker
Arte: Michael Lark
Arte-final: Stefano Gaudiano
Cores: Matt Hollingsworth
Mercenária (Partes 02 e 03) ? Lorde Hirochi e Mercenária continuam a colocar em prática seu plano para o Tentáculo e ele envolve os amigos próximos do Demolidor, que está enfrentando uma série de acusações de violência e assassinato nas ruas da Cozinha do Inferno, mas antes de lidar com isso, ele terá que se acostumar com a presença de Mestre Izo.
Em uma história lenta, mas em nenhum momento tediosa, Brubaker vai, meticulosamente, desdobrando as partes deste enorme quadro que compõe a atual trama. Os elementos são muitos, desde pequenas engrenagens do Tentáculo até as pequenas engrenagens da vida de Matt Murdock. E por se tratar de um universo cheio de relações próximas e peculiares, o autor investe muito do seu tempo e dos diálogos nos personagens, dosando na medida certa as necessárias cenas de ação, que são consideráveis.
Brubaker tem demonstrado ter um cacoete (sem nenhum juízo de valor sobre a palavra) muito interessante, que eu vejo sempre presente no Universo DC: a questão do legado. Em Capitão América o autor resgatou Bucky e o reinventou para assumir o manto de seu mentor. Em Punho de Ferro ele, e Matt Fraction, floreou a mitologia do personagem não só com conceitos e leis próprias, mas também com antecessores. Aqui, Ed faz a mesma coisa com a Mercenária, colocando-a como uma discípula do original, mesmo que indireta e superficialmente. Outro momento de igual característica é a inclusão do novo personagem, o Mestre Izo, que tudo indica ter sido o sensei de um certo mestre que ensinou uma jovem criança cega a superar uma tragédia.
E é nestes dois novos personagens, Mercenária e Mestre Izo, que Ed Brubaker faz um trabalho irrepreensível de apresentação, caracterização e condução. Em poucas páginas já podemos ?ler? a essência de Izo e amá-lo e odiá-lo ao mesmo tempo por sua personalidade. Quanto à Mercenária, dois momentos a marcam: sua aparição civil, algo inesperado, e seu confronto com Demolidor, no qual suas habilidades marciais ficam evidentes para o Homem Sem Medo e para o leitor.
Mas o melhor foi guardado para o final, onde vemos desnudado o plano de Lorde Hirochi e percebemos suas implicações para a vida de Matt e seus amigos quando a Tigresa Branca termina a edição no chão de seu próprio apartamento, após ser assassinada pela Mercenária.
Michael Lark retorna e pouca diferença se percebe em relação a Clay Mann. O talento do desenhista pode ser visto a todo momento nas lições básicas de narrativa e composição de uma hq, mas quando um artista consegue mostrar visualmente sem nenhuma dificuldade as diferenças de estilo de luta entre Tarantula Negra (brutalidade), Punho de Ferro (leveza) e até mesmo o Demolidor (acrobático) é porque ele consegue ir além do lugar comum.
O Incrível Hulk: The Incredible Hércules #124 - Nota: 8,5
Argumento: Greg Pak & Fred Van lente
Arte: Clayton Henry
Arte-final: Salva Espin
Cores: Raul Treviño, Guru eFX & LeeLoughridge
Amor e Guerra (Parte 04) ? De posse do ônfalo, Artume vai até o Axis Mundi, atualmente em Washington, para libertar Atlas e cumprir o ritual para ganhar controle sobre a realidade.
Os autores pi-ra-ram nesta edição. Pareceu uma competição para ver qual núcleo poderia render as maiores zoações. Desde o monumento fálico em Washington até estratégias de lutas sujas, Greg Pak e Fred Van Lente seguem se divertindo e sacaneando tudo, até uma versão paródia de Dinastia M eles fizeram. Um timing pra humor poucas vezes visto em hq?s e, mesmo não conhecendo, mas ouvido falarem, me parece que a Liga Cômica de Giffen seguia uma linha de escárnio como esta. Deixo a palavra com vocês para discorrerem sobre o assunto.
As excelentes dinâmicas entre personagens continuam, o trabalho de pesquisa e criatividade que mescla mitologia e ?realidade? também. Assim como a estupidez sadia de Hércules. Enfim, um título com qualidade constante e que só tem agregado mais valor a si.
Clayton Henry faz um ótimo trabalho novamente e, pelo que entendi, Salva Espin não seria mesmo um arte-finalista, como havia imaginado, mas outro ilustrador, pois as últimas páginas diferem bastante, mas ainda assim, não compromete o resultado final.
Melhor Interjeição: ?HAH!?
Hércules usando toda a sua sapiência para se expressar nos momentos de adrenalina.