
Panini Comics/Vertigo - DC Comics
R$ 9,90 - Mensal
Formato Americano - 132 páginas
Dezembro de 2009
Vikings: Northlanders #02 ? Nota: 10,0
Argumento: Brian Wood
Arte: Davide Gianfelice
Cores: Dave McCaig
Sven tenta sobreviver e preparar a sua vingança, mas uma série de encontros e desencontros vai lhe mostrar que esse combate trará mais dificuldades do que ele imagina.
Antes de tudo, abra sua Vertigo #02 na página 106. Essa belíssima imagem que você vê, é uma capa alternativa de Vikings #02. Também foi a imagem que ilustrava o site da Vertigo, quando ele ainda estava na sua versão beta. Ou seja, há algum tempo que conheço essa ilustração e torcia para que ela fosse uma capa, e não apenas um pôster interno. Mas naquelas decisões editoriais que só a Panini compreende isso não aconteceu. Agora compare com a capa escolhida para a revista, também é uma capa original de Vikings #02. Acredito que você concordará comigo.
Tendo minha frustração devidamente expressada, vamos a história em si. É bem interessante como a nararrativa de Vikings se dá. De maneira totalmente lenta, e calma. Montando-se peça por peça. A história tem batalhas, e cenas de ação? Com certeza. Mas ainda assim o ritmo é bem moderado. Isso remete bem ao estilo de Brian Wood, que pode ser coferido também em ZDM. Não importa a gravidade do cenário, o autor faz questão de desenvolver os seus personagens e as suas relações.
Nas últimas semanas, esse ritmo narrativo, tem sido criticado nos fóruns de discussões por alguns leitores, que consideram a história ?arrastada?. Eu particularmente vejo nessa hq, uma história bem narrada e construída, sem apelações. Mas é o meu ponto de vista. Tenho que admitir que aparentemente essa hq nos próximos meses deva gerar muitas controvérsias, se continuar no mesmo estilo.
Mas um ponto em comum, são as deslumbrantes cores e arte. A reconstituição da época é belíssima. Em alguns momentos dá para sentir o frio e o cheiro dos lugares. E uma bela hq, que certamente deve melhorar cada vez mais.
Melhor Frase: ?O seu mundo tem muito brilho e muitas emoções, Sven, mas ele não tem alma, não faz sentido. Tudo é rápido demais.?
Ivarsson gastando inutilmente sua sabedoria com Sven.
Lugar Nenhum: Neil Gaiman?s Neverwhere #02 ? Nota: 9,0
Argumento: Mike Carey
Arte: Glenn Fabry
Cores: Tania & Richard Horie
Consultoria: Neil Gaiman
Lady Porta segue seu caminho após a ajuda de Richard. O que ele não sabia é que sua vida nunca mais seria a mesma após esse encontro.
Se em toda a sua vida Richard poderia ser considerado um ?Zé-Ninguém?, dessa vez ele verá todo o sentido figurado dessa expressão se tornando literal. É absurdo, surpreendente, e inesperado o rumo que a história toma, e isso a torna muito interessante.
Richard agora é um Zé-Ninguém, perseguido, e possivelmente corno. Haja maré de azar! Por outro lado é interessante notar como a hq se esforça por não parar em lugares comuns e nem cair nos clichês. A exploração da ?Londres de Baixo? se dá apenas na medida do necessário. Nada de terríveis monstros vencidos pelos golpes de kung-Fu do Marquês de Carabás.
A história consegue agradar, e num ritmo constante se tornar ainda mais chamativa. A arte e as cores continuam deslumbrantes, veja cada pôster da história e se delicie com a quantidade de detalhes que Glenn Fabry consegue desenhar.
Melhor Frase: ?Você é como um peixe arremessado na praia Mathew. Um homem poderia lhe ministrar uma aula por uma hora ou mais... mas ao fio e ao cabo, você ainda não seria capaz de respirar.?
Marquês de Carabás falando para Richard umas verdades.
John Constantine: Hellblazer #176 ? Nota: 8,0
Argumento: Mike Carey
Arte: Steve Dillon
Cores: Lee Loughridge
Aproveitando-se do ataque sofrido pela sua aliada, John Constantine se informa sobre o seu inimigo e parte para a vingança.
Final do primeiro arco de Mike Carey a frente do título. Nesse arco curto vemos uma história muito boa, sem nada que a torne especial, e nada que a torne ruim. Enquanto na primeira parte, tudo girava em torno do mistério em relação as mortes, dessa vez o fio condutor é o confronto entre Constantine e a entidade causadora do mal naquele lugar.
Constantine tem acima de tudo estilo. O seu desprezo por tudo, até pelo oponente, é muito interessante. Adiciona um elemento de humor e risco que faz bem à narrativa. E é justamente por ir de ?peito aberto? para o combate, que ele quase paga um alto preço, pois parece se esquecer que é ?apenas? um humano.
Fica no final um gancho, que interconectará esse arco ao próximo.
Melhor Frase: ?São três e meia da madrugada, porra. Seja você quem for, seus órgãos reprodutores estão na balança.?
Watford após atender uma ligação de Constantine.
Sandman Apresenta ? A Tessalíada: Sandman Presents: The Thessaliad #02 ? Nota: 5,0
Argumento: Bill Willingham
Arte: Shawn McManus
Cores: Danny Vozzo
Após o ataque sofrido, Thessaly parte em uma jornada para se vingar.
Primeiramente tenho que dizer duas coisas: essa hq é a mais fraca do mix por dois meses consecutivos. Fato. E nessa segunda edição o autor faz um grande esforço para produzir uma história interessante. Infelizmente, ele não consegue e faz uma edição pior do que a inicial.
Se no primeiro número destaquei a narrativa e uma espécie de introdução ao universo de Sandman, como aspectos interessantes da história, nessa não temos nada de especial. A idéia de ter que enfrentar uma jornada com vários inimigos menores, antes de chegar ao vilão e executar a vingança, é um dos clichês-supremo. Os guardiães que Thessaly enfrenta, bem como a resolução dos combates, pretendiam ser algo muito interessante. Mas no final são maçantes e enfadonhos.
Sempre imaginei a Esfinge, por exemplo, como um ser astuto, perspicaz e cruel. Que usava dessas caracterísitcas meramente para brincar com suas presas antes de devorá-las, como um gato faz com um rato. Nunca a imaginei como uma loira burra, oxigenada.
No mais a história faz centenas de referências ao universo de Sandman. É o sintoma de uma hq que não consegue se sustentar, nem dizer a que veio. Recorrendo a sua prima famosa, ela tenta se salvar...
Melhor Frase: ?E eu que sei? Nem tenho idéia.?
Thessaly respondendo a uma charada que ela mesma tinha proposto para a Esfinge.
Escalpo: Scalped #02 ? Nota: 10,0
Argumento: Jason Aaron
Arte: R. M. Guéra
Cores: Lee Loughridge
Dashiell Cavalo Ruim cria vários inimigos por causa da sua atividade policial. Todos eles estão planejando uma vingança. Enquanto isso o chefe Corvo Vermelho faz um grande esforço para mostrar uma imagem positiva de si mesmo para a sociedade americana, mas ele tem sua liderança questionada. E para piorar a sua situação, surge um novo policial tão insano quanto Cavalo Ruim: Queda D?Água.
Pela sinopse já dá para notar o nível de complexidade que essa hq atingiu. E eu ainda citei apenas os fatos principais da história. Portanto, prepare-se para lê-la pelo menos umas duas vezes, de preferência relendo a #01. Complexidade não é sinônimo de qualidade, mas no caso de Escalpo, ela mostra as inúmeras nuances das atitudes dos personagens. E como o contexto daquela sociedade devastada influi nesses aspectos.
A hq adota várias ?idas e vindas? no tempo, dando uma dimensão maior para cada situação. A cada momento cada personagem se torna mais cheio de nuances. Onde está a fidelidade de Cavalo Ruim? Com seu povo? Com o FBI? Com o Corvo Vermelho? Com sua antiga namorada? Nenhuma resposta é satisfatória. E a entrada de um novo coadjuvante na hq: Queda D?Água, promete tornar as coisas ainda mais complexas. Levantando também inúmeras outras questões.
Escalpo tem um dos roteiros mais densos e ricos que podemos encontrar hoje nas bancas brasileiras. É uma obra de arte que consegue definir um gênero e ser um divisor de águas. Da mesma forma que um filme sobre a máfia sempre é comparado com O Poderoso Chefão, a partir de agora sempre que uma obra se referir a degradação das sociedades indígenas americanas, terão que se referir a Escalpo.
Melhor Frase: ?Tô te dizendo, garoto. Basta uma olhada para eu saber, em algum lugar lá fora tem a porra duma morte gloriosa, e o teu nome tá escrito nela.?
Queda D´Água explicando para Dash ?Cavalo Ruim? o que o futuro lhe reserva.