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X-Men #96
© David Dornelles
The Uncanny X-Men #504 Panini Comics/Marvel Comics
R$ 7,50 ? Mensal
Formato Americano - 100 páginas
Dezembro de 2009

Os Fabulosos X-Men: The Uncanny X-Men #504 & #505 - Nota: 7,5
Argumento: Matt Fraction
Arte: Terry Dodson
Arte-final: Rachel Dodson
Cores: Justin Ponsor

Perdido de Amor (Partes 01 e 02) – Ao tentar superar a perda de Kitty, Piort se depara com um fantasma de seu passado. O massacre de Cooperstown repercute na mídia pelas mãos de Simon Traks. Hank segue reunindo pensadores para resolver o problema da Dizimação. E Emma, ao perceber que Scott está escondendo segredos dela, decide aceitar um convite que poderá mudar a situação mutante por completo.

Como vocês puderam perceber pela tentativa de sinopse, muita coisa acontece nessas duas partes do atual arco da revista. Antes de falar mais a fundo sobre estes pontos, quero dizer que eu gosto muito quando várias tramas e subtramas são criadas e desenvolvidas em uma história. A sensação, que me dá, é de um universo muito mais amplo e rico, com uma vida que respira por si só. Mas claro que tudo isso sempre vai depender do talento do escrito. Até agora, ainda que não seja genial, Fraction tem sido no mínimo regular, pra mim, claro!

The Uncanny X-Men #505

Após mudarem de costa, os X-Men se recuperam do primeiro problema que tiveram em São Francisco, o choque com o Culto do Inferno, que provou ser nada mais que um artifício de Madelyne Pryor, ex-mulher de Scott e ex-falecida. Com tempo para cuidar de seus entres, os X-Men acabam se agrupando em personagens com interesses em comum, dividindo a narrativa em várias partes.

A primeira, e principal, que conduz este arco, trata de lidar com o sentimento de dor e luto que Colossus tem sentido desde que Kitty salvou a Terra de um disparo de bala intergalático e se perdeu na imensidão do espaço. Eu gostei bastante do clima e do tom que o autor deu nas ações e falas de Piort, mas fiquei muito mais surpreso com a conveniência de incluir um “vilão” de seu passado russo do que mostrá-lo como um retcon de sua origem. Não vi nada que possa ser encarado como um erro cronológico, além da Illyana quase da mesma idade que ele no traço de Dodson, mas, de resto, estou de mente aberta.

E este caminho tomado por Rasputin é que faz com que um segundo seja percorrido, mas por Emma Frost. Vendo que seu companheiro, Scott Summers, anda distante e, evidentemente, cultivando segredos, ela solicita uma sondagem telepática. O que se segue é um passeio pela, sempre problemática, mente de Ciclope, onde o autor dá a impressão de que não tem muito o que dizer, mas surpreende quando apresenta o elemento “caixa preta” e cita o nome de Jean Grey. Fora que foi uma oportunidade do casal Dodson mostrar que dominam a arte da sensualidade feminina.

Em paralelo, Hank e Warren iniciam uma busca por grandes mentes capazes de reverter os efeitos da dizimação provocada por Wanda e que, após o nascimento recente que provocou toda a zona de Complexo de Messias, viu-se que não era algo tão definitivo assim. E o novo, velho, personagem apresentado, Dr. Nêmesis, como manda a cartilha do grande gênio superior, tem uma personalidade irritante e cativante. Outro que se junta á iniciativa de McCoy é Madison Jeffries, que minha pesquisa revelou ter se envolvido com a Tropa Alfa e a Arma X, mas não tenho lembrança dele antes desta edição.

The Uncanny X-Men #505

Sobre a questão mutante, o autor retoma o quase esquecido massacre de Cooperstown, na segunda parte, e o coloca como um gatilho para acirramento das relações entre humanos e mutantes. Eu confesso que sentia falta desses espisódios em que algum conflito urbano levantava o questionamento sobre preconceito, racismo e intolerância. E foi bom ver a reação da prefeita. Uma pena que em algumas edições, com o evento Utopia, tudo não pareça uma bravata vazia em função das mudanças no Universo Marvel devido ao Reinado Sombrio. E por falar em Reinado Sombrio, Emma Frost decide embarcar em uma cabala que poderá colocá-la em xeque com Scott e a espécie mutante.

Axel Alonso, editor da Marvel, certa vez disse que The Uncanny X-Men retornaria a ser o eixo dorsal do universo mutante, onde o leitor poderia ler uma trama, mas que também ficaria ciente do que se passava em todo o resto. É exatamente o que acontece. Há referências aos acontecimentos em X-Force, em Cable e em Legado.

Após o massacre visual que foi ter que aturar Greg Land no arco passado, Terry, e sua mulher Rachel, nos presenteiam com uma arte vibrante, leve, bela e rica. Alguns reclamam de quando artistas desenham todas as pessoas “lindas e com corpos perfeitos”, que “no mundo real não é assim” e outros discursos do tipo, mas, por mais que seja verdade, não há como negar sua força. E ao contrário de Frank Cho, que desenha mulheres com igual atenção, Terry consegue se manter num limite saudável, ainda que exuberante.

X-Men: Legacy #219

X-Men - Legado: X-Men - Legacy #219 ? Nota: 6,5
Argumento: Mike Carey
Arte: Phil Briones
Arte-final: Cam Smith
Cores: Brian Reber

Charles Xavier e Cain Marko têm uma conversa decisiva sobre a relação que tiveram, que têm e que terão daqui pra frente.

Não é de agora que Carey narra histórias incríveis e trabalha conceitos que estimulam e surpreendem o leitor. Aqui ele faz algo que pode ser considerado menor, mas não deixa de ser uma boa diversão. Com predileção pelo Fanático que gosta de ser uma força irrefreável, o autor construiu esta trama apenas para desfazer, com irrepreensível cuidado, a tentativa de redenção que se iniciou com *bate na madeira* Chuck Austen.

A história se desenrola da maneira esperada, com os demônios de cada um expostos e as discrepâncias entre suas personalidades realçadas. Entretanto, Carey traz um novo elemento à mitologia do Fanático, algo que em todos estes meus anos acompanhando nunca tinha visto ser abordado, mas que torna a leitura mais prazerosa, mesmo não sendo fundamental. E também há o desfecho, feito de uma forma que, se não surpreende, mostra que Xavier, de fato, é uma pessoa diferente daquela antes de ter uma bala estourando seu cérebro.

Phil Briones, um nome novo na minha lista, mostrou um talento incrível e um estilo inspirado na família Kubert. Ótima narrativa, enquadramentos, textura, detalhamento, cenários e cuidado com as expressões faciais.

Young X-Men #06

Jovens X-Men: Young X-Men #06 - Nota: 6,5
Argumento: Marc Guggenheim
Arte: Ben Oliver
Cores: José Villarubia

Um Jovem X-Men morreu e as repercursões disso afetam seus membros, os antigos Novos Mutantes e até mesmo Ciclope.

Impressionante como ao focar apenas na essência e personalidade dos personagens que tem em mãos, Marc Guggenheim mudou por completo o tom da revista e foi capaz de criar uma trama muito mais feliz que todo o seu primeiro arco. Não que isso o exima da má qualidade anterior, mas mostra atenção ao que os leitores manifestaram, à época, sobre seu trabalho. Mesmo soando como um pedido de desculpas público e um grito desesperado para aceitação, não se perde o mérito do talento mostrado nessa única edição.

Ele reinseriu os garotos no atual momento mutante, se livrou de Olhos Vendados (personagem que nunca deveria se envolver em conflitos), agregou os antigos Novos Mutantes, delineou as relações entre personagens, ou seja, definiu um novo marco para tentar emplacar o título. Infelizmente provou-se tarde demais.

Ben Oliver é artista consagrado e não faz muita coisa além de sua ótima arte.


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