
Panini Comics/Marvel Comics
R$ 7,50 ? Mensal
Formato Americano - 100 páginas
Novembro de 2009
Hulk: Hulk #07 ? Nota: 5,0
Argumento: Jeph Loeb
Arte: Art Adams; Frank Cho
Arte-final: Walden Wong; Frank Cho
Cores: Peter Steigerwald; Jason Keith
Bruce Banner segue o rastro dos Wendigos até Las Vegas, mas quem surge em cena é o Sr. Tira-Teima. A Mulher-Hulk busca ajuda para enfrentar novamente o Hulk Vermelho.
Eu quero deixar claro que não acompanhava Marvel Action, logo não faço idéia do que aconteceu com o título do Hulk após ele ter se tranformado no excelente título do Hércules e do surgimento desse título Hulk, com o Hulk Vermelho. Claro que lemos uma notícia aqui e lá, mas nada se comparasse a uma imersão como fiz agora que esse material migrou para Universo Marvel.
E meu veredicto é: ruim pra cacete! Nenhum Problema em existir um Hulk verde, cinza, azul, vermelho, roxo com bolinhas amarelas... mas um Hulk que não é Banner e, principalmente, todo esse mistério sobre sua identidade não é nada legal. Quem se importa? Admito, entretanto, que dividir a história em duas narrativas diferentes e independentes é um recurso interessante e pode render bons resultados, como uma edição da série 24 Horas, com quadros variados e, muitas vezes, simultâneos.
No “lado a”, acompanhamos Bruce em sua odisséia contra os Wendigos, o que no fundo não tem nenhuma razão para acontecer, assim como a aparição do Cavaleiro da Lua e, depois, de Miss Marvel e Sentinela. Não tem muito o que ser dito sobre uma história vazia assim, apenas que é ruim mesmo.
Arthur Adams, um dos primeiros desenhistas que passei a dedicar atenção quando me iniciei nos quadrinhos, é quem faz a arte. Comparada com o que foi um dia, seu estilo permanece, mas incorporou um pouco de linguagem cartoon perdendo a composição mais humana e realista de antes. Mas ainda assim um ótimo profissional.
No “lado b”, a Mulher-Hulk reúne uma tropa de choque siliconada para dar uma surra no Rulk. Ao contrário da sinopse rasa, Loeb até narra a trama com um pouco de humor, mas peca na condução do confronto fazendo as coisas, para ambos os lados, parecem fáceis, e idiotas, demais.
Frank Cho é um ótimo desenhista. Quadros, detalhes, cenários, textura... muitas qualidades a serem destacadas, mas sua insistência em desenhar mulheres – no mais suave dos adjetivos que pude encontrar – cavalonas, dá um ar todo soft porn para a história que não me interessa nem um pouco e, tão pouco, serve à história, mas deve agradar aos punheteiros de plantão com fetiche por mulheres alterofilistas.
Quarteto Fantástico: Fantatic Four #562 ? Nota: 2,0
Argumento: Mark Millar
Arte: Bryan Hitch
Arte-final: Andrew Currie & Cam Smith
Cores: Paul Mounts
Após o velório de Sue, o Quarteto Fantástico tenta reorganizar sua vida e lidar com algumas novas situações, mas uma nova ameaça já está a uma dimensão deles.
Cha-aaaaaaaaaaaaaaaaaa-to. Mark Millar está para os quadrinhos assim como Michael Bay está para os cinemas. E está frase é um conceito fechado sim. Não farei maiores considerações sobre ele.
Uma trama de interlúdios e desenvolvimento de novas tramas. Valeria e sua superinteligência ganham mais espaço, diria até que “duzentas vezes” mais espaço. Ha-ha-ha. Nada contra a idéia, mas Millar pesou a mão, o braço, o corpo inteiro na construção da inteligência da menina. Já a parte que cabe a Richards e Doom... por onde começar? Bem, não interessa, pois tudo se resume ao momento em que Destino diz “...e há também o meu mestre, é claro.” sem a menor razão, sentido ou motivação. O que foi isso, senhores? Eles estão no recreio do colégio? “Meu pai é melhor que o seu”, “Meu irmão vai bater em você”? Patético.
Ben e Johnny também aparecem, mas não vale muito qualquer comentário. E o final foi um daqueles raros momentos em que eu consegui dar uma risada tão profunda e espontânea que até simpatizei com a cena do “bocão”.
Bryan Hitch melhora um pouco nesta edição.
O Incrível Hulk: The Incredible Hércules #123 - Nota: 8,0
Argumento: Greg Pak & Fred Van lente
Arte: Clayton Henry
Arte-final: Salva Espin
Cores: Raul Treviño
Amor e Guerra (Parte 03) – Posêidon é resgatado, mas Artume já havia conseguido a informação que buscava e partiu para o próximo passo de seu plano.
Os autores encerram a primeira parte da trama que, agora, ganha novos horizontes e, como pede a história, é feito um passeio histórico que agrega muito valor à trama e a seus personagens, explicando muito sobre acontecimentos passados, presentes e suas motivações.
Já no meio da edição Hércules voltou a enxergar e o plano de Artume se revela mais impiedoso do que se esperava. As boas caracterizações de Hércules, Namor, Namora, Amadeus e, até, Posêidon garantem a qualidade da história e o tempo investido neles.
Mas o que realmente surpreende nesta edição é seu desfecho, com Pak e Lente se valendo do que JMS fez em Thor e inserindo seu Panteão no plano terrestre, mas de uma maneira muito criativa e que promete muitos problemas e gargalhadas.
O único problema que senti aqui foi uma queda na arte de Clayton Henry. Em dado momento, principalmente na parte focada no passado e, mais pro final, na parte empresarial, houve um exagero de estilo puxando o traço para algo mais manganesco, infantilizando a trama. Me deu a impressão, inclusive, de ser um outro artista, mas como nos créditos constam Clayton e Salva, sem especificações exatas, acredito que sejam, respectivamente, artista e arte-finalista.
Demolidor ? O Homem Sem Medo: Daredevil ? The Man Without Fear #111 ? Nota: 8,5
Argumento: Ed Brubaker
Arte: Clay Mann
Arte-final: Stefano Gaudiano
Cores: Matt Hollingsworth
Mercenária (Parte 01) – O sol se põe na Cozinha do Inferno e sobre seus telhados uma mulher se lança por entre os prédios, com um plano em mente, desejando cruzar o caminho de Matt Murdock, um homem que já tem problemas demais,m mas que não imagina o quão piores eles podem ficar.
Novamente, como no caso de Hulk, meu primeiro contato com o material de Brubaker no Demolidor acontece aqui, mas nem por isso deixei de ler e me informar a respeito do que tem acontecido no universo do Homem Sem Medo. Não poderei, em minha análise, resgatar arcos anteriores em detalhes ou fazer ligações de eventos com a mesma eficácia de alguém que acompanhou o título desde sua nova fase, contudo, vamos ver se me saio bem nessa empreitada.
O que vi de Ed Brubaker, nesta primeira parte de arco cujo nome dispensa qualquer explicação, foi um trabalho minuncioso para criar uma personagem que fique por algum tempo na vida do Demolidor. Para tanto, ele teve que estabelecer laços entre a personagem e o cenário em que ela está inserida, o que acontece através do desenvolvimento sensorial dado pelo narrador em seu passeio pelos prédios da Cozinha do Inferno, e também cria laços entre ela e o leitor ao construir um passado não só problemático, justificando personalidade e escolhas, mas estabelecendo um marco que guiaria sua vida dali em diante. Não é algo novo vindo de alguém que resgatou Bucky da morte e o alçou a um papel já existente, mas o inegável talento de Brubaker, ao menos, faz parecer que a personagem é interessante o suficiente a ponto de não criticarmos muito a iniciativa.
Ainda nela, nos é mostrado que além de sua missão principal, algo que envolve pessoas muito próximas de Matt/Demolidor, a Mercenária tem alguma motivação muito pessoal guiando suas decisões, algo que pode colocá-la em choque com seu mestre, Lorde Hirochi, do Tentáculo.
Em paralelo, Murdock e Dakota tem sua relação trabalhada em maior profundidade e escrevo isso com toda a mensagem subliminar que a palavra possa carregar. Acho incrível como, além de ser azarado, Murdock faz de tudo para tornar a Lei de Murphy uma verdade constante em sua vida.
Um ótimo início de arco que além de direcionar a vida de Matt para um novo mar de problemas, faz isso remexendo clássicos conceitos de sua mitologia e com um espetacular texto.
A arte de Clay Mann é uma novidade para mim e uma excelente surpresa. Um traço cheio de vida, movimento e personalidade que mantém o clima do título (constante desde Alex Maleev, praticamente), é composto em belos quadros e ângulos que valorizam a integração entre os elementos (personagens e cenários).