
Panini Comics/DC Comics
R$ 7,50 - Mensal
Formato Americano - 100 Páginas
Dezembro de 2009
Crise Final - A Ira dos Lanternas Vermelhos: Final Crisis - The Rage of Red Lanterns #01 - Nota: 8,5
Argumento: Geoff Johns
Arte: Shane Davis
Arte-final: Sandra Hope
Cores: Nei Ruffino
Logo no início da Crise Final, ocorreu um deicídio ? o assassinato de um deus. Órion, dos Novos Deuses, foi encontrado morto nas ruas de Metrópolis. As suspeitas recaíram, após a investigação dos Lanternas Alfas, em Hal Jordan. Durante a sua Origem Secreta, Jordan, também, tomou conhecimento sobre seres antigos do universo, como Atrocitus, uma criatura de ódio desmedido. Aqui, todos esses eventos se encontram. Com a eminente execução de Sinestro, que será procedida em Korugar, planeta natal do vilão, surge a oportunidade de uma vingança ser perpetrada; e quatro Tropas chocam-se em conflito.
Da arte, entretanto, não ressalto muito. Davis é um artista competente, criando boas composições e possui uma excelente noção de narrativa visual, mesmo que eu tenha achado, em alguns momentos, a anatomia ? os rostos, principalmente ? de alguns personagens exagerada... O uso de hachuras prejudicou um pouco, também; em personagens monstruosos, como Atrocitus, caem bem, mas os rostos de Jordan e, principalmente, John Stewart ficaram muito estranhos, em alguns momentos...
Por fim, sendo bem pessoal, só coloco que tenho uma predileção especial pelos Lanternas Vermelhos, desde sua primeira aparição. Nesse sentido, nem dá para dizer que o Atrocitus está errado, considerando que, provavelmente, os eventos que o moldaram foram derivados da negligência ? proposital, talvez ? dos Guardiões. O Centro causa muito estrago ao universo, de fato, como dizem as zamoranas... Fora isso, só me resta agradecer à Panini: Atrocitus merece nada menos que a capa da edição, mesmo!
Melhor Frase: ?Lanterna Verde. Sinestro. Não faz diferença.?
Atrocitus mostrando o que um ?usuário de fúria desmedida?, como disse Ganthet, tem por definição.
A Tropa dos Lanternas Verdes: Green Lantern Corps #30 - Nota: 7,0
Argumento: Peter J. Tomasi
Arte: Patrick Gleason
Arte-final: Rebecca Buchman
Cores: Nei Ruffino
Os Pecados da Safira Estrela (Parte 02) ? Procedendo com a ?missão diplomática? em Zamaron, parte da Guarda de Honra, Lanternas Guy Gardner e Arísia, e o novo Íon, mantém discussões acirradas com as Safiras Estrelas, juntamente com três Guardiões do Universo ? e uma deles ostenta uma cicatriz. Enquanto isso, uma força-tarefa de Lanternas, encabeçada por Kyle Rayner e Soranik Natu, continua sua caçada à integrante da Tropa Sinestro conhecida como Berzzo; e encontram o monstro.
Essa edição, como comum nos roteiros de Tomasi, ficou mais transitória e recheada de texto. A disparidade entre as atitudes das zamaronas e dos Guardiões de Oa foram ressaltadas, sugerindo muito sobre a Guerra de Luzes e as intenções de certos personagens... Sinceramente, considero o ponto de vista da rainha Aga'Po mais válido que os dos baixinhos, levando em conta quantos erros e tragédias o comportamentos deles ocasionou. Vide Crepúsculo Esmeralda, para entender, por exemplo. Embora essa seja o ponto principal da edição, a participação da bizarra e medonha Berzzo foi o que mais me chamou atenção. Primeiro, inseriram uma sexualidade na criatura ? antes, não havia referências de gênero e o desenho da criatura era masculinizado ?, validando seu comportamento. Outra coisa que me perturbava, nela, era conjecturar como as crianças se mantinham vivas, alimentando-se e sobrevivendo, dentro da ?carapaça? dela; nesta edição, é mostrado logo no início ? e é repulsivo! Me pergunto, inclusive, o que é feito dos bebês quando crescem, ou se a criatura tem um esconderijo-berçário. Afinal, quando atacada pelos Lanternas, está sem criança alguma: ou foi uma furada do desenhista, ou Berzzo passou em algum lugar, antes, sendo que já estava ?lotada?.
Foi uma edição muito boa, enfim. A arte de Gleason deu um salto positivo, provavelmente com a entrada da nova arte-finalista, e a narrativa continua agradando. Entretanto, sempre espero um upgrade no estilo de Tomasi, que ele se parelhe com Geoff Johns... Afirmo, mesmo assim, que o autor sabe destacar ? e muito bem, o que é terrível ? a liderança daquela Guardiã entre os seus pares. As vilãs da Tropa Sinestro, dentro dos cristais de safira-estrela, também, não foram mostradas sem motivo. E uma nova lei é formulada para o Livro de Oa.
Melhor Diálogo:
?- Lá vão eles, minha rainha... Rumo ao centro do universo para causar mais estrago.
- O Centro cederá. É apenas uma questão de tempo.?
Uma das oficiais da Rainha Aga'Po dialogando com a mesma. Certos comentários são muito perturbadores...
Omac: Solo #03 - Nota: 6,5
Argumento: Paul Pope
Arte: Paul Pope
Cores: Dave Stewart
Paul Pope, um respeito escritor e desenhista indie de quadrinhos, produz esta história sobre o nascimento de OMAC, o Exército de Um Homem Só (One Man Alone Corps, no acrônimo original.), carregada de uma forte crítica sócio-cultural. Além de uma história difícil de resenhar!
Faz um tempo que não acompanho o Universo DC com eficácia, fora esses dois últimos anos com o título do Lanterna Verde. Portanto, pesquisei o que foi possível sobre o OMAC, esta edição e qual que era, afinal. Primeiramente, a revista Solo, nos EUA, é uma tentativa da DC Comics de publicar produções mais autorais de seus funcionários, como o selo Icon, da Marvel, assim como chamar artistas alternativos proeminentes para a função ? o caso de Pope, a saber. Paul Pope já trabalhou, anteriormente, para a DC, criando trabalhos como Batman: Ano 100 e outros, como títulos do Homem-Aranha, Capitão América, títulos do selo Vertigo... Seu trabalho, muito voltado pro mercado alternativo, como afirmado, volta-se muito para aqueles aspectos não abordados da cultura jovem, e é influenciado por artistas como Jack Kirby ? cuja esta edição é dedicada ?, Alex Toth, Hugo Pratt e outros, segundo ele mesmo.
?E o que tem de mais nessa edição?!?, pergunta o moleque entediado na penúltima fileira. Bom, ela ganhou um Prêmio Eisner de ?melhor história curta?. E, também, é uma releitura de um personagem criado na década de 1970 por Kirby, que não durou nem oito edições. Muitos aqui, tenho certeza, reconhecem a sigla do personagem principal pelos eventos relativos à Crise Infinita, onde Maxwell Lord usou o mesmo satélite, Irmão-Olho, para acabar com a comunidade super-humana. Só que, nesse contexto, a sigla possuía outro significado, assim como os OMACs eram diferentes e com outros propósitos. Posteriormente, um OMAC vermelho, ou ReMAC, torna-se integrante dos Renegados, sob comando do Batman ? que criou o Irmão-Olho, inclusive, nesse contexto.
Enfim, fora a releitura e a crítica, Pope resgatou conceitos, mesmo que brevemente, em uma única fala, por exemplo, das outras encarnações do personagem. Afinal, ele tem sido recriado e reapresentado desde 1974, ano de sua primeira publicação. Para os mais geeks, até mesmo o game Mortal Kombat Vs. DC Universe possui uma referência ao OMAC. Ao que tudo indica, é um personagem que se tornou cult por sua falta de destaque, na indústria. E, pessoalmente, essa era a intenção da história: mostrar uma sociedade fútil ? como a nossa ?, onde todos e tudo é descartável. Onde as pessoas não tem valor algum, exceto egoístas.
É, por fim, uma historieta mediana para boa, com um traço característico para o alternativo, mas que, talvez, assuste leitores mais novos ou estranhos ao estilo. Mesmo com o prêmio ? e não sou jurista do Eisner Award, para esse fim? não considerei a coisa toda tão relevante assim, não. Até questionei a presença dela, na edição. Com um fim meio ao estilo Alan Moore (Vide Marvelman, V de Vingança...), não acrescentou muito como experiência de leitura.
Gladiador Dourado: Booster Gold #13 - Nota: 4,5
Argumento: Rick Remender
Arte: Pat Olliffe
Arte-final: Jerry Ordway
Cores: Hi-Fi
Mais uma vez, a linha temporal é ameaçada. E, agora, é Starro que usa a tecnologia e conhecimento dos Mestres do Tempo para dominar, mentalmente, a História humana de seu início ao fim. E é isso.
Sinceramente, começo a considerar que os autores se sentem ofendidos por serem ?relegados? ao título do Gladiador. Aqui, Remender, que possui um estilo respeitado de narrativa, até então, por seus trabalhos em The Last Days os American Crime, pela Vertigo, e Doutor Voodoo: Vingador do Sobrenatural, pela Marvel, ambas ainda sem publicação no Brasil, optou por ?refazer? o mesmo que as edições anteriores: uma treta temporal, um vilão de segunda, o Gladiador Dourado dando uns sopapos ao estilo Adam West. Fora a revelação inesperada, na página final, ao Gladiador, nada é acrescentada ao contexto geral. Nem o Solomon Grundy salvou a coisa...
Da arte, admito que sou mais a equipe atual que Dan Jurgens. E, aparentemente, o trabalho bem feito, desta edição ? e da próxima ?, deve-se ao arte-finalista Jerry Ordway, que, segundo comentários de resenhistas norte-americanos, é tão competente que, se necessário, refaz desenhos inteiros do artista titular, para melhorar a qualidade visual do produto. E tem um ar de John Byrne, ainda, em seu traço. Não que Olliffe seja de todo o mal, pois considerei seu traço muito bem desenvolvido, mas esse é o comentário geral, lá fora... Enfim, agora resta esperar a conclusão desse arco (reciclado) como se fosse novidade...
Melhor Frase (que não aconteceu): ?Solomon Grundy nasceu numa segunda...!?
Como me fazem uma história com o Grundy e não me incluem isso?!