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Crise Final #05
© Leonardo Cabral Ferreira
Panini Comics/DC Comics
R$ 5,50 ? Minissérie mensal em 7 edições
Formato Americano ? 36 páginas
Novembro de 2009

Final Crisis #05 ? Nota: 4,0
Argumento: Grant Morrison
Arte: J. G. Jones, Carlos Pacheco, Marco Rudy & Jesús Merino
Cores: Alex Sinclair

No planeta Oa, Hal Jordan é levado a julgamento sob a acusação do assassinato de Órion e da agressão a John Stewart. Enquanto isso, na Terra, o recém-desperto Darkseid prepara seu ataque definitivo, que transformará o planeta no Quinto Mundo. Acuados, os heróis remanescentes lutam para manter viva uma tentativa de resistência, sem saber que estão prestes a receber ajuda do Senhor Milagre.

Crise Final caminha inexoravelmente para seu fim, o ritmo se acelera, e Morrison é obrigado a suar a camisa para dar conta de todos os plots que abrira até então. Com isso, as explicações ? que já não eram abundantes ? tornam-se ainda mais escassas. Neste momento, creio que já não é possível ficar em cima do muro: ou se ama ou se odeia os delírios morrisonianos. Digo isso nem tanto pela trama em si, que tem seus momentos, bem como algumas idéias bacanas, personagens carismáticos e um baita vilão (muito negligenciado ultimamente, diga-se de passagem). O problema é que a narrativa não flui nem a porrete!

Personagens entram e saem da história sem mais nem menos, assim como algumas coisas surgem do nada, sem explicação. Podemos citar, por exemplo, a forma humana de Metron, que, de uma para outra, aparece trancafiada num calabouço, portando uma Caixa Materna disfarçada de cubo mágico; o modo como Frankstein (que não teve qualquer contato com os heróis antes) de repente está liderando alguns membros da LJA e da SJA num ataque direto a Blüdhaven; o tal do novo Aquaman, que apareceu mudo e sumiu calado; e os Flashes ? Barry Allen e Wally West ? que estão ensebando por aí desde a segunda edição, e até agora não fizeram p#rr@ nenhuma! A esta altura, aliás, é até difícil saber quem está ou não na resistência, dado o rodízio de personagens que impera a cada capítulo.

E o mais incrível é que o autor não faz o menor esforço para estender a mão para o leitor, complicando algumas coisas pelo simples prazer de complicar. Já vimos que, em determinados momentos, a mini trabalha com linhas temporais diferentes, o que não é nenhuma novidade no mundo das HQs. O agravante aqui é que Crise Final não faz nenhuma demarcação de tempo, um detalhe importantíssimo numa trama que avança para o futuro e depois retorna ao presente. E sejamos francos: custava assinalar os saltos temporais com ?tantas semanas depois? ou ?alguns dias antes?? Muita gente (leia-se os fãs de Morrison) venera tal postura, porque (supostamente) força o leitor a pensar. Bom, opinião é opinião, e cada um tem a sua. Para mim, esse é um recurso porco e preguiçoso, cuja única utilidade é fazer o autor posar de gênio e (tentar) impressionar alguns.

O pior de tudo é que o próprio Morrison parece ter escorregado nesse vai e vem temporal. A seqüência da página 11, em que o já desperto Darkseid manda as Fúrias saírem pelo mundo, faz uma ponte com o final da edição #03 e, conseqüentemente, com a edição #04, quando Barry Allen e Wally West dão um salto no tempo e conhecem o futuro. O problema: a edição #04 ? que se passa depois da página 11 da edição #05 ? mostra Darkseid enfraquecido, ainda lutando pelo controle do corpo do policial Dan Turpin, enquanto na própria edição #05, Darkseid já se encontra desperto e plenamente recuperado. E ainda tem toda a seqüência do Senhor Milagre no QG do Xeque-Mate, que ocorre de forma linear, ignorando por completo o salto temporal da quarta edição.

Outra coisa incômoda é que o autor deixa de explicar eventos cruciais. Tomemos como exemplo o julgamento de Hal Jordan no planeta Oa. Na hora ?H?, Guy Gardner e Kyle Rayner entram em cena e desmascaram a Lanterna Alfa Kraken, que agia sob o domínio da Vovó Bondade. A dupla de heróis ? que não tinha dado as caras até então ? de repente sabe que, além de possuída, Kraken ocultou um implante na cabeça de Jordan, e que esse implante é o que esconde sua verdadeira identidade dos Guardiões do Universo. Agora, como é que Gardner e Rayner descobriram uma coisa dessas, minha Santa Querupita? Ou eles repentinamente desenvolveram uma capacidade de dedução de fazer inveja ao Batman, ou então consultaram uma cartomante (das boas!) no caminho para Oa.

Antes que alguém me chame de urubu, reconheço que a HQ tem seus pontos positivos, entre os quais, vale destacar, o próprio julgamento de Hal Jordan (que só peca pela inexplicável dedução de Gardner e Rayner) e o discurso de Darkseid nas páginas finais. As palavras do vilão são fortes e intimidadoras, e seu conteúdo é coerente com conceitos trabalhados anteriormente em Sete Soldados da Vitória, o que demonstra planejamento. Mesmo assim, isso não esconde a falta de coesão da trama, os acontecimentos não explicados, nem a narrativa excessivamente truncada.

A arte continua sendo produzida a várias mãos, e Marco Rudy se junta a Carlos Pacheco, Jesús Merino e J. G. Jones ? que deveria ser o único responsável pelos desenhos, mas não deu conta de carregar o piano sozinho. Mesmo que a qualidade não seja um problema aqui (dado o talento de todos os envolvidos), é lamentável constatar que uma editora do porte da DC não tenha sido capaz de se organizar, para que o principal evento do ano fosse ilustrado por um único artista.


por Jackson em 18/01/2010
É um prazer ler uma crítica de um não-paga pau do Morrison. Eu devo ser MUITO burro, mas não vejo genialidade nenhuma em Crise Final. Só perco a paciência com tanta coisa acontecendo, sem qualquer explicação ou relevância. Isso de narrativa complicada forçar o leitor a pensar é balela. Lost tem uma narrativa doida, mas serve perfeitamente pra contar a história. Como disse o revisor, Morrison complica por complicar. Sua narrativa hermética (eu diria incompreensível, até) não embeleza a história, não é fundamental pra conta-la, NÃO É NEM UM POUCO GENIAL. É aquela velha história do formato ser mais importante que o conteúdo, ou seja, pura firula. Típico de obras vazias.
por Jackson em 18/01/2010
Aliás, conferiram a lista dos melhores do ano do Omelete? Entre os piores, tem a opção "Grant Morrison transformar o UDC em física quântica". Cara, votei com tanto gosto...
por hamenes em 18/01/2010
Que capas horrosas meu Deus, só pelas capas ainda não me interessei nem um pouquinho pelas baboseiras Morrisianas, será que no universo DC existem empresas de seguros? acho que todas já faliram, quem aguenta crisis e mais crisis, eu hein, bwahahahhahahhaha!!!!! não vejo a hora desta me@## acabar.
por Kyle em 19/01/2010
Concordo com tudo que o Leonardo disse. Morrison tem ótimas idéias sim, mas isto não o transforma em um grande escritor, ou mesmo num gênio, como muitos pregam por aí. Na MINHA opinião, esse tipo de narrativa que o Morrison usa caberia melhor em uma obra autoral.
Já vi várias vezes o Morrison citar David Lynch (de quem sou fã confesso), mas o negócio é que ele (Lynch) não emprega seu estilo em blockbuster, como Morrison parece insistir em fazer.
No final, sobra muita pirotecnia e correria ? isso sim. O mantra que os fãs xiitas do Morrison usam: "não gostou porque não entendeu", comigo não cola. Balela pura!

por SKRULL em 19/01/2010
Antes de tudo, cito que não acompanhei essa série, mas vendo o pessoal descer a lenha, não me arrependo, arrependo sim em ter acompanhado Invasão secreta, que como foi dito para entende-la deve-se ler "tudo" da Marvel, coisa que não fiz e também não arrependo. agora sobre a Série da DC, diante de tantos furos citados, será que a série não se liga com outras revistas da DC? tipo respondendo a essa questão do Leonardo: "como é que Gardner e Rayner descobriram uma coisa dessas" nada contra ser contra o Morrison, mas isso que fiz foi so uma pergunta, e não acho o Morrison tão ruím assim tem uma fila de artistas muito grande na frente dele.
por EvandroL2Badini em 19/01/2010
Depois de 7 Soldados desisti de entender as histórias do Morrison.
por SKRULL em 19/01/2010
Que isso! Sete soldados foi um marco das Hq''s, o Morrison provou ali que pode-se fazer uma estória bem elaborada com boas tramas, muito suspenses e segredos, pontas soltas e no final amarrar tudo deixando o leitor de queixo caido com o desenrolar final, cara até um menino de 3 anos entenderia essa série. Tá bom,... também não entendi nada desta hQ, ainda assim acho que o Morrison tem crédito. Homem animal, WE3, X-Men, Invisíveis, All Star Superman(eu gostei) entre outras coisas. Afinal todos escritores tem seus trabalhos podres. ( Não acredito que tô defendendo o Morrison.)
por monitor em 19/01/2010
Gardner e Rayner desvendarem o mistério como implante na cabeça de Jordan foi fora do comum, a menos que o Skrull esteja certo e saia nesta sequência de Fúria dos Lanternas Vermelhos publicada em Dimensão Dc, não vejo como mesmo. Agora quanto a entrada de personagens discordo, é uma megasaga e além do mais eles estão retornando sim. É só acompanhar edição por edição p ver a LJA, o Xeque-Mate, o Sr. Milagre etc. Metrom como humano já havia sido visto em 7 Soldados da Vitória, o fato dele estar preso se esplicou na própria história. Frankstein esta liderando o grupo de heróis por ser agente da SOMBRA, e já se encontrou com uma porrada deles durante o começo de 52 no velório dos heróis tombados durante a Crise Infinita. Este Aquaman filho da mãe rs, é de um outro universo. Bola fora da DC mesmo, Morrison quis usá-lo mais para fazer uma homenagem ao "Aquaman que todos queremos ver" segundo palavras do próprio. Os Flashs foram para o futuro, tudo bem, mas Darkseid não aparece no corpo de Turpin neste futuro em nenhum momento. Eles só se confrontaram com as Fúrias Femininas no corpo das heroínas algumas semanas no futuro e depois voltaram para o tempo de onde vieram. Mas realmente este negócio de avançar semanas e não estar citado em caixas de dialógo é complicado.
por cellocarioca em 21/01/2010
Salve pessoal. Tá, quero só ver depois como os outros herois, viloes e humanos vao ficar, porque até onde não entendi a onde isso tudo vai dar ou se é dapara dar em algum lugar. Acho que estão jogando tudo que podem em questão de destruição e pelo que vi, nem sei bem de onde Darkside está tirando tanto poder para tentar reescrever o universo! A onde está a verdadeira batalha pelo futuro do Universo??? Meus pesames a essa séria que suga meu dinhero como se fosse água, para cada vez mais eu desistir de comprar quadrinhos. Achei a história sem graça, o vilao nao rende e etc. Darkside está muito bem em MK vs DC rs..... o jogo é tudo de bom na vida!!
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