
Panini Comics/Marvel Comics
R$ 7,50 - Mensal
Formato Americano - 100 páginas
Outubro de 2009
O Espetacular Homem-Aranha: The Amazing Spider-Man #572 & #573 – Nota: 8,5
Argumento: Dan Slott
Arte: John Romita Jr.
Arte-final: Klaus Janson
Cores: Dean White
Novas Formas de Morrer (Partes 05 e 06) - Os Thunderbolts continuam na cola do Homem-Aranha e é o Mercenário quem agora sai à caça do herói. Eddie Brock segue em sua cruzada para eliminar Venom, e invade o QG dos T-bolts, só que, desta vez, Mac Gargan está preparado para enfrentá-lo. Após um longo tempo, Homem-Aranha e Duende Verde voltam a ficar frente a frente.
Logo de cara, é bom ver que a Panini voltou à tradução original do título: Novas Formas de Morrer.Viram como reclamar às vezes resolve? Ainda sobre as escolhas da editora, nesta edição foi escrito “Antivenom” o tempo todo, ao invés de “Anti-Venom”, como no mês passado. Curiosamente, as duas opções podem ser consideradas corretas. O nome do personagem no original (em inglês) é grafado com hífen. Já a escrita sem hífen é uma espécie de aportuguesamento do termo, já que, no português, o prefixo “anti” só deve ser escrito com hífen quando unido a palavras iniciadas em “h” ou quando a segunda palavra começar com a última letra do prefixo, ou seja, “i”.
Não vou entrar no mérito sobre qual é a forma mais apropriada, pois entendo que o mais importante aqui é a coerência. Independente da forma adotada, que esta seja mantida, para evitar que, a cada edição, surja uma grafia diferente. E já que a questão é ser coerente, continuarei utilizando “Anti-Venom” em minha resenha, exatamente como no fiz mês passado.
Agora, vamos ao que realmente interessa: a história. A conclusão do arco mantém o ritmo frenético dos capítulos anteriores, com um amontoado de personagens reunidos numa trama repleta de ação. É tanta coisa acontecendo, tanta gente se esmurrando, caindo e levantando, que fica até difícil fazer uma pausa para buscar aquela aguinha básica. Não que isso seja ruim, afinal dá para segurar as pontas perfeitamente e esperar alguns minutos para molhar o bico, não é mesmo? Ainda mais quando é por um bom motivo. Slott continua demonstrando segurança e desenvoltura ao trabalhar com diversos personagens simultaneamente (algo que já faz há algum tempo em Iniciativa). O autor sabe dosar muito bem o desenvolvimento das subtramas e a atenção dispensada a todos os envolvidos. Claro que alguns personagens têm uma participação maior (e mais relevante) do que outros, mas, de modo geral, todos têm o seu papel. Nos desenhos, John Romita Jr. também mantém o pique, ou seja: ótimo como sempre.
Outra coisa que muito me agradou foi a caracterização de Norman Osborn: um sujeito maquiavélico e extremamente inteligente, que se adapta rapidamente às circunstâncias e tem sempre uma carta escondida na manga. Depois de uma pá de novos vilões meia-boca, é ótimo ver o bom e velho Osborn de volta. Muitos até se esforçam, mas não tem jeito: os grandes inimigos do Aranha são mesmo aqueles criados por Stan Lee e cia.
Falando em vilões, foi uma boa sacada o modo como Osborn utiliza os poderes regenerativos do Monstro para criar um veneno superfoderoso. Finalmente alguém encontrou alguma serventia para esse vilão de péssimo gosto. Sem dúvida, essa foi a melhor aparição do Monstro até aqui. E foram apenas duas páginas! Só o confronto com o Duende Verde é que não cumpriu as expectativas, pois se encerrou rápido – e até fácil – demais. Depois de todo o tempo que esses dois ficaram sem se enfrentar, esperava-se uma batalha de proporções maiores. Não é o bastante para estragar o arco, mas é um detalhe que poderia ter sido melhor.
Agora, um comentário nerd: Desde que se uniu a Mac Gragan, Venom tem sido um verdadeiro saco de pancadas, seja na série dos Thunderbolts (ele tomou um pau até do Espadachim), na minissérie Invasão Secreta (o Capitão Marvel/Skrull põe Venom em órbita com um sopapo)ou nas poucas aparições nas histórias do Aranha. Pois aqui, Gargan finalmente sai vitorioso de uma peleja, mas o faz usando uma nova versão do traje do Escorpião, sua antiga identidade. Isso só reforça minha opinião (e birra) a respeito desse novo Venom, que não passa de um tremendo “bucha”. Pelo menos, ainda resta a esperança de que, um dia, alguma alma iluminada resolva limpar a cagada do Sr. Mark Millar, unindo Eddie Brock novamente ao simbionte.
O Espetacular Homem-Aranha & Steve Colbert: The Amazing Spider-Man #573 – Nota: 3,5
Argumento: Mark Waid
Arte: Patrik Olliffe
Arte-final: Serge Lapointe
Cores: Rain Beredo
Em seguida, vem uma história de oito páginas, na qual o Homem-Aranha encontra um candidato – sem qualquer chance de vitória – à presidência, Stephen Colbert. E quem diabos é esse sujeito? Bom, quem deveria ter respondido isso em uma nota de rodapé é a Panini, mas já que a editora não fez o dever de casa, vamos seguir os ensinamentos do mestre Google por conta própria.
Colbert é um famoso comediante norte-americano, apresentador do programa Colbert Report, especializado em sacanear o pensamento conservador e o Partido Republicano. O cara já encabeçou a lista de best-sellers do jornal New York Times com o livro I Am America (And So Can You), recebeu três prêmios Emmy, dois Peabody e foi eleito como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time. Mesmo com um currículo tão vasto, o que propiciou a “parceria” com o Aranha foi a amizade com o editor-chefe da Marvel, Joe Quesada, que também já fez algumas participações no programa de Colbert.
Beleza, professor, mas e a história? Ela é Boa? Para os americanos, que conhecem, convivem e gostam de Colbert, a trama deve até possuir certo charme. Já para nós, brasileiros, que não temos absolutamente nada a ver com o comediante, nem possuímos todos os conhecimentos prévios para entender suas piadinhas, é uma história boba, clichê e – sobretudo – descartável. Sinceramente, é o tipo de material que deveria ficar restrito aos EUA, pois só faz sentido quando inserido em seu devido contexto.
Salvam-se, pelo menos, os bons desenhos de Patrick Olliffe e (mais uma) releitura da clássica imagem de Amazing Spider-Man #50 (aquela mesmo, do uniforme abandonado na lata de lixo). Por mais batida que seja, trata-se de uma referência sempre especial para os aracnofãs, graças à imagem icônica que se formou em torno dela ao longo dos anos.
O Espetacular Homem-Aranha: The Amazing Spider-Man Annual 2008 #01 – Nota: 5,0
Argumento: Marc Guggenheim
Arte: Mike McKone
Arte-final: Andy Lanning
Cores: Jeremy Cox & Sotocolor
Aviso: devido à natureza da história, a resenha a seguir está lotada de spoilers. Portanto, se você ainda não leu a revista e não quer ter nenhuma surpresa estragada, trate de arrumar outra coisa para fazer, como saltar para a próxima resenha do Fanboy, por exemplo. Ou então vá ler a revista e volte mais tarde para comentá-la. Obrigado.
Teoricamente, esta deveria ser uma história altamente impactante, pois ela revela a identidade de uma personagem misteriosa, traz uma morte inesperada e ainda apresenta um novo vilão. Infelizmente, como a vida nos ensina tantas e tantas vezes, a distância entre teoria e prática é enorme.
Primeiro, a revelação da identidade de Loteria configura um típico mistério picareta. Durante meses, a Marvel esfregou na cara dos leitores que Loteria poderia ser Mary Jane Watson. Para tanto, deram à vigilante o mesmo físico, personalidade, humor e modo de falar da esposa de Peter. Até um codinome que remete à primeira aparição de MJ eles arrumaram. Aí, na hora H, o autor tira da cartola a desconhecida Alana Jobson – que comprou a licença de super-heroína da igualmente anônima Sara Ehret – só para dizer que surpreendeu a todos. Isso não é surpresa, ora. É enganação! Os leitores não suspeitavam de Alana, porque não sabiam que ela existia. Assim fica fácil “surpreender”, não?
Depois, Guggenheim tenta criar impacto, matando repentinamente Alana Jobson e, uma vez mais, não obtém sucesso. Até que o fato de ela se submeter ao uso de várias drogas para obter poderes e atuar como super-heroína é interessante, pois a dependência química é um tema sempre atual. O problema é que é difícil nutrir qualquer empatia por Jobson, porque nós, leitores, não a “conhecemos”. Até esta edição, ela só havia sido mostrada como Loteria, e, mesmo assim, participou efetivamente de poucas histórias. Além disso, a heroína nunca demonstrou identidade/personalidade própria, pois os autores só se preocuparam em ressaltar as semelhanças com Mary Jane. Daí, quando se descobre que não é MJ quem está por trás da máscara, o que sobra? Uma personagem vazia, que ninguém conhece nem nutre afeição e, conseqüentemente, também não sentirá falta.
A essa altura, já nem me sobra muito ânimo para detonar o novo vilão, Ponto Cego... Não, mentira. Sobra sim. Por Stan Lee, que vilão ridículo! Finalmente, alguém para disputar no par ou ímpar com o Monstro o prêmio de pior vilão do ano. Pensando bem... Não. O Monstro é insuperável. Medalha de prata para o Ponto Cego. Vejamos se eu entendi bem: o poder do sujeito é cegar os outros. Beleza. Mas ele precisa se aproximar e tocar a vítima?! E esse cara ainda se mete a assaltar bancos? Então ele sai passando a mão em todo mundo na agência, pessoa por pessoa? Inclusive nos seguranças? Fala sério! Decididamente, não se fazem mais vilões “buchas” como antes... Ah, que saudade de Rino e Shocker...
No meio de tudo isso, encontramos o bom desenhista Mike McKone, que se esforça para não escorregar junto com Guggenheim. Não que isso seja o bastante para salvar a história, mas, pelo menos, não se pode reclamar do belo visual providenciado pelo artista. Este visual, aliás, só não é mais belo porque o Aranha não foi capaz de manter a boca fechada por cinco minutinhos a mais nas páginas 79 e 80... Raios duplos!