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Crise Final #02
© Leonardo Cabral Ferreira
Panini Comics/DC Comics
R$ 5,50 ? Minissérie mensal em 7 edições
Formato Americano ? 36 páginas
Agosto de 2009

Final Crisis #02 ? Nota: 7,0
Argumento: Grant Morrison
Arte: J. G. Jones
Cores: Alex Sinclair

As investigações sobre o assassinato de Órion prosseguem. Enquanto investiga a cena do crime, John Stewart é brutalmente atacado e as suspeitas recaem sobre Hal Jordan. Ainda tentando conquistar a confiança da Sociedade Secreta, Libra desfere um duro golpe em um dos pilares da comunidade super-heróica.

Até aqui, o mistério parece ser a tônica de Crise Final. Pelo andar da carruagem, percebe-se que alguma coisa está acontecendo, embora não dê para saber exatamente o quê. Não que isso seja ruim, afinal ninguém gosta de uma história que revele seus segredos logo de cara, não é verdade? Sem contar que esse clima enigmático não impede a trama evoluir, de modo que alguns eventos começam a se conectar. Isso diminui aquela sensação de ?salada mista? da edição passada, tornando as coisas um pouco mais interessantes. Ainda não é o suficiente para fazer com que a mini esquente para valer, mas cria-se a expectativa de que isso aconteça em breve, graças, principalmente, ao gancho deixado na última página.

Por outro lado, há tanta coisa acontecendo, que o espaço às vezes parece pequeno para todos os anseios de Grant Morrison. É o caso, por exemplo, do ataque a John Stewart. Num momento, vemos o herói sendo ferido por um suposto Lanterna Verde. Daí, na página seguinte, a Lanterna Alfa Kraken já está detendo Hal Jordan pelo atentado e acusando-o também do assassinato de Órion. Isso, sem ao menos esboçar o que motivou tais conclusões. Teria sido o testemunho de Stewart? Alguma pista deixada no local? Ou Jordan foi visto pelo Lanterna Opto, que estava próximo dali? Pelo jeito, a explicação fica a critério de cada um, que deve escolher a que melhor lhe convier.

Novamente, surgem referências a Sete Soldados da Vitória ? minissérie de autoria do próprio Morrison, lançada há mais de dois anos. Particularmente, tenho algumas restrições quanto a isso, pois espero não ser obrigado a revirar minha linda (e não tão organizada) estante para sacar algum elemento importante de Crise Final. Em todo caso, essas referências ainda não se mostraram um obstáculo para o entendimento da trama; então tudo bem. Se isso não mudar, o escocês maluco pode satisfazer o seu ego em paz.

Agora, algo que realmente me incomodou foi perceber que a morte do Caçador de Marte causou comoção zero em seus amigos. Além de todos estarem mais preocupados com o assassinato de Órion, alguns parecem até indiferentes à recente tragédia. Diana, por exemplo, lamenta a perda do elo telepático ? e não do amigo ? que o marciano mantinha entre os heróis. Batman, por sua vez, diz friamente que a morte de J?Onn J?Onzz foi uma vingança por ele ter se infiltrado na trupe dos vilões durante a minissérie O Planeta dos Condenados. Nem parece que foi o próprio Batman quem embarcou J?Onzz naquela canoa furada. Prêmio cara-de-pau do ano para o Morcego!

Sei que pode parecer picuinha reclamar disso, mas se pegarmos a (ótima) minissérie Crise de Identidade, veremos como a morte de Sue Dibny ? uma personagem bem menos relevante ? causou enorme comoção entre o panteão heróico da DC. Já aqui, alguém que participou de praticamente todas as formações da Liga da Justiça é brutalmente assassinado, e seus pares não parecem chocados nem ressentidos. Um personagem como J?Onzz certamente merecia tratamento melhor que o indiferente ?mais um corpo estendido no chão?. Tudo bem que haverá uma edição especial dedicada ao assunto (a ser publicada em Crise Final Especial #02, em setembro). Mas já que a morte de J?Onzz receberia pouco destaque por parte de Crise Final, por que não mostrá-la em outro lugar? Era preferível tê-la colocado em algum dos prelúdios ou contagens regressivas da vida e dar-lhe o tratamento merecido.

A arte de J. G. Jones continua bela e consistente, chamando a atenção pelo elevado nível de detalhes e pela ótima caracterização dos personagens. Uma coisa que muito me agrada é que Jones não constrói heróis/vilões hiperbombados e anabolizados. Obviamente que os supers são musculosos (com exceção do Flama Humana... hehehe), pois faz parte do encanto. Mas isso ocorre de forma natural, sem exageros, de modo que são todos retratados com proporções humanamente plausíveis, o que contribui bastante para a sensação de ?realismo?. Só não gostei do modo como o artista desenhou a insígnia do Superman na página 23, que ficou horrível.

Pior Frase: ?De acordo com minhas fontes, a Sociedade Secreta jurou se vingar depois que ele [Caçador de Marte] se fez passar pelo Arrasa-Quarteirão?.
Batman, conversando com seus colegas da Liga da Justiça sobre a execução de J?Onn J?Onzz. Quem o vê falando assim, nem imagina de onde partiu a idéia de infiltrar o marciano na turma dos vilões. Que cara-de-pau, hein Seu Morcego?!

P.S.: Ainda estou confabulando com Tico e Teco para tentar digerir aquela bala disparada retroativamente no tempo. A única conclusão a que chegamos por enquanto é que se trata de um paradoxo temporal dos diabos.


por Jackson em 16/09/2009
Como comentei lá no Review de Batman 81: quando as loucuras do Morrison são em função da história, e não de si mesmas, a parada funciona bem. Até aqui, to até gostando de Crise Final. Sobre o J?Onn J?Onzz, tem razão, não tinha pensado nisso. Mas claro que o genial Morrison não se limitaria a algo tão banal e simples quanto o pesar por um colega, uma história calcada no emocional. Crise de Identidade ROCKS, aquilo sim é "crise".
por cellocarioca em 25/09/2009
Ahhh.... Começou as apelações. Porque não respeitam A Crise nas Infinitas Terras e não tentam fazer de novo algo que não cola. Reviver o Flash para que, reviver Hal Jordan para que, só pode ser dinheiro. Achei a primeira revista fraca e a segunda não empolga. As dos Vilões da de 10x0 só pelo roteiro maduro falando de vida, família e traumas. Quase uma Crise de Identidade dos Vilões rs.... Será que não se pode fazer algo novo, diferente, tudo é chupação de idéias antigas. Daqui a pouco o Superboy volta!! Peraí, de qual estou falando? rs....
por Orpheu em 25/09/2009
É mesmo, a "Vingaça do Vilões", escrita pelo Geoff Johns (tinha que ser), ficou muito show.
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