
Panini Comics/DC Comics
R$ 24,90 - Edição Especial
Formato Americano - 128 Páginas
Março de 2009
Coringa: Joker - Nota: 9,0
Argumento: Brian Azzarello
Arte: Lee Bermejo
Arte-final: Lee Bermejo & Mick Gray
Cores: Patricia Mulvihill
Aclamada como a segunda melhor interpretação do Palhaço do Crime (quem mais senão o Coringa?) depois de A Piada Mortal de Alan Moore (relançada recentemente pela Panini recolorida por Brian Bolland), o original Joker de Brian Azzarello e Lee Bermejo (aqui em seu melhor trabalho) cumpre em parte o seu anunciado: é mais uma visão do mundo em que o psicopata vive e como reage a ele pela visão de um terceiro do que uma viagem aprofundada na psique do famoso Coringa ou no caos que permeia suas atitudes; em certos pontos tem tom de documentário.
Azzarello é um escritor policial; nisto reside sua força maior como escritor de quadrinhos. Ele consegue puxar para as HQ?s um realismo cru do gênero cuja fonte é o cinema. A trama de Coringa é bem familiar para quem aprecia o estilo: chefe criminoso e completamente pinel que depois de sair da cadeia (ou do Arkham, como é o Coringa) sai à cata de seus sócios, capangas e rivais (no caso vilões como Duas-Caras, Pinguim, Crocodilo, Charada, Arlequina) que se apropriaram de seu território e de seus bens enquanto ele se encontrava de ?férias?. E é pra esse ?mundo real? que Azzarello traz a galeria de vilões de Batman, adaptando-os para uma trama policial (ou ?filme de máfia? como dizem alguns) e com o estilo também realista que Cristopher Nolan empregou para trazer o universo de Batman às telas em seus filmes Batman Begins e Batman: O Cavaleiro das Trevas; o Coringa é o melhor exemplo: concebido visualmente em cima da figura de Heath Ledger, o Coringa de O Cavaleiro das Trevas, mas com uns toques de Zé Pequeno de Cidade de Deus (falando nisso, bacana, a sequência onde Bermejo homenageia o filme e seu personagem mais famoso); outros como o Crocodilo e Charada são caracterizações interessantes, mas que podem provocar chiados dos leitores mais puristas.
Acompanhamos a trama através do capanga Johnny Frost que acha que, por trabalhar com o Coringa, ganhará um passe livre para a grande nata do crime organizado de Gotham. Frost é um personagem desprezível; qualquer leitor de Batman já sabe o que vai acontecer com ele, só não sabe ainda como vai acontecer. E essa é a graça maior da história: ter um vislumbre de fora do como é o mundo do Palhaço do Crime enquanto Frost se ferra magistral e lentamente.
A trama é intensa, com vários momentos de tensão apropriados para quem está ?documentando? sua aliança com um psicopata e, melhor, se esforçando para entendê-lo, um toque de gênio do escritor que tem em Lee Bermejo uma representação perfeita em seu clima quase noir, com um traço mais limpo do que em Batman/Deathblow e uma aprimoração de seu trabalho em Lex Luthor: Man of Steel (ambos escritos por Azzarello). Deve-se creditar os esforços de Mick Gray na arte-final e de Patríca Mulvihill nas cores que ajudaram a compor todo essa visão sombria e crua de Brian Azzarello.
E não tem Batman? Tem sim. E até sua participação tem propósitos maiores, o que ajuda a compor um encerramento com tons de épico, o que fez provavelmente este especial ser comparado a A Piada Mortal. Só não dei um dez por achar confusos alguns trechos, como as piadas do Coringa que, talvez façam mais sentido no original americano.