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Capitão América: Morre Uma Lenda #01
© Leonardo Cabral Ferreira
Fallen Son: The Death of Captain America #01 Panini Comics/Marvel Comics
R$ 5,90 ? Minissérie mensal em duas edições
Formato Americano ? 52 páginas
Março de 2008

Capitão América - Morre Uma Lenda: Fallen Son - The Death of Captain America #01 - Nota: 6,0
Argumento: Jeph Loeb (a partir de uma idéia de J. Michael Straczynski)
Arte: Leinil Francis Yu
Cores: Dave Mccaig

Capítulo 1: Negação - E aqui temos a estréia da minissérie que mostra a reação dos principais heróis Marvel ao trágico assassinato de Steve Rogers, o Capitão América. A premissa é retratar os cinco estágios do pesar (negação, raiva, barganha, depressão e aceitação), cada um deles sob a ótica de um personagem diferente. Apesar de a idéia inicial ter partido de J. Michael Straczynski, a história ficou a cargo do controverso Jeph Loeb, que costuma despertar amor e ódio entre os leitores. Se por um lado o cara tem em seu currículo obras do quilate de Batman: O Longo Dia das Bruxas, Superman: As Quatro estações, Demolidor: Amarelo e Homem-Aranha: Azul, Loeb também é responsável por verdadeiras bombas, como Heróis Renascem, o recente retorno da Supergirl e por avacalhar com a origem do Superman no início dos anos 2000.

O primeiro capítulo lida com a negação e mostra Wolverine questionando a veracidade da morte do Capitão América. Para o baixinho, o atentado frente às câmeras de TV pode muito bem ter sido uma armação da SHIELD ou até mesmo de Nick Fury (que vem agindo apenas nos bastidores, desde a minissérie Guerra Secreta). A fim de confirmar (ou enterrar de vez) suas suspeitas, Logan prepara-se para invadir o aeroporta-aviões da SHIELD e fazer a identificação do corpo de Steve Rogers.

A história é simples e, se está longe de ser um clássico, também não compromete. É o tipo de leitura que entretém sem maiores expectativas, mais ou menos como um filme de Sessão da Tarde. Para os saudosistas, há até um atrativo especial: a entrada para o antigo escritório subterrâneo da SHIELD, habilmente escondida sob a cadeira de uma velha barbearia, referência a uma época clássica que não volta mais. Hoje, isso soa ultrapassado e até meio idiota, mas em outros tempos, quando filmes e histórias de espionagem estavam no auge, esse tipo de truque enchia os olhos (e a imaginação) da galera. Além disso, a trama conta com as participações do Demolidor e do Soldado Invernal (Buck Barnes, o antigo parceiro do Capitão América).

Infelizmente, há algumas gordurinhas também, como o lance de Wolverine tentar trucidar o Demolidor apenas para confirmar a identidade deste último. Tudo porque outra pessoa esteve se passando pelo Homem Sem Medo recentemente. Na verdade, foi Danny Rand, o Punho de Ferro, quem vestiu o traje de Demolidor durante a Guerra Civil, para cobrir os passos de Matt Murdock, que, na ocasião, estava na Europa, seguindo o rastro do assassino de seu amigo, Foggy Nelson (que nem sequer morreu, mas isso já é outra história).

Fallen Son: The Death of Captain America #01 Variant Cover

O primeiro problema que vejo nisso é que os sentidos superaguçados de Logan são mais do que suficientes para identificar qualquer pessoa, mascarada ou não. Segundo, porque, convenhamos, Murdock não é o único camarada no mundo capaz de se esquivar de um ataque traiçoeiro. Ou será que sou eu que estou enganado e não existe mais ninguém no Universo Marvel que reúna a agilidade e habilidade necessárias para tanto? Derrapada feia, Sr. Loeb.

Não sei se serve de consolo, mas esse exagero do roteiro pelo menos rendeu uma bela página dupla do artista Leinil Francis Yu, que, aliás, faz um bom trabalho. Seu estilo rebuscado e carregado de sombras combina com o clima de espionagem e conspiração que norteia a trama. Só os ferimentos à bala em Wolverine é que ficaram meio esquisitos, pois não parecem feitos em carne humana. Na verdade, eles mais fazem lembrar o andróide T-1000, do ótimo O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final, cujo corpo era constituído de metal líquido.

No interior da revista, temos a reprodução da capa alternativa feita por Michael Turner, que, como de praxe, deixa a desejar. Até que a figura do Capitão América ao fundo ficou legal. Mas o Logan, em primeiro plano, parece ter dois metros de altura, sem contar que os punhos cerrados do personagem são do mesmo tamanho que sua cabeça. Ou seja, proporção aí passou longe.

Melhor Frase: ?Stark, se eu descobrir que cê teve alguma coisa a ver com a morte do Capitão, eu te mato.?
Wolverine, mostrando ao Homem de Ferro uma variação do clássico ?quem avisa, amigo é?. Ok, ok, nós sabemos muito bem que Stark não está envolvido na morte de Rogers e que não será morto por Wolverine. Mas, fala sério, é sempre divertido ver esse baixinho bancando o durão.

Fallen Son: The Death of Captain America #02

Capitão América - Morre Uma Lenda: Fallen Son - The Death of Captain America #02 - Nota: 5,5
Argumento: Jeph Loeb (a partir de uma idéia de J. Michael Straczynski)
Arte: Ed McGuiness
Arte-final: Dexter Vines
Cores: Jason Keith

Capítulo 2: Raiva - O capítulo 2 lida com a raiva e é dividido em duas narrativas paralelas, mostrando a reação de ambas as equipes de Vingadores, que estão chateadas e revoltadas com a perda do amigo. Cada uma, entretanto, tem seu modo próprio de extravasar a raiva e enfrentar a difícil situação.

Os Poderosos Vingadores (equipe de heróis registrados formada por Homem de Ferro, Vespa, Miss Marvel, Magnum, Ares, Sentinela e Viúva Negra) saem em missão, no encalço do vilão conhecido como Tubarão-Tigre, que roubou um artefato atlante e o está utilizando para controlar um exército de monstros marinhos. Desnecessário dizer que esse Mané de quinta categoria vai virar o alvo da raiva (e um belo saco de pancadas) do grupo de heróis.

Enquanto isso, os Novos Vingadores (grupo contrário à Lei de Registro de Super-Humanos, composto por Luke Cage, Homem-Aranha, Dr. Estranho, Wolverine, Punho de Ferro, Mulher-Aranha, Eco e o misterioso Ronin) optam por uma válvula de escape bem menos violenta. A equipe convida Ben Grimm, o Coisa, para uma noite de pôquer no Sanctum Sanctorum de Estranho.

Este capítulo é um pouco inferior ao primeiro. Creio que o excesso de personagens e acontecimentos tenha prejudicado a narrativa, que é meio atropelada em determinados momentos. A seqüência dos Poderosos Vingadores (que acabou sendo a mais fraca) é um bom exemplo disso, ressentindo-se de um melhor desenvolvimento. A motivação do Tubarão-Tigre é a mais batida e banal possível: eliminar os maiores heróis da Terra, para, assim, ganhar respeito no submundo do crime. Todo mundo que acompanha quadrinhos já viu essa justificativa um zilhão de vezes, de modo que, salvo raras exceções, não serve para outra coisa senão arrancar bocejos do leitor. Tudo bem que o espaço era pouco para trabalhar melhor o conflito e suas motivações, mas será que não dava mesmo para arrumar uma explicação melhor? Ora, a Gangue da Demolição promovendo um assalto ou então algum graúdo fugindo da Balsa (só para citar dois exemplos) seria bem mais interessante e aceitável.

Fallen Son: The Death of Captain America #02 Variant Cover

Por outro lado, a seqüência com os Novos Vingadores ficou bacana e agradável de se ler. Além de retomar a clássica idéia do jogo de pôquer entre os heróis, o momento tem um ar bem intimista, combinando com o clima de luto que envolve a todos. Fora isso, os personagens estão bem caracterizados, ficando claro que eles só estão ali, jogando pôquer e fazendo piadas, para esconder a dor e frustração de cada um, evitando falar na recente tragédia. É aquela velha história do ?rir para não chorar?, que, estou certo, todo mundo conhece muito bem. Além disso, a explosão do passional Homem-Aranha contra a frieza e objetividade extrema do sempre durão Wolverine é uma coisa bastante coerente, afinal os dois heróis possuem temperamentos (e modos de enfrentar as coisas) completamente distintos.

Na arte, temos Ed McGuiness, cujo estilo cartunesco definitivamente não agrada a todos. Eu, particularmente, estou entre aqueles que gostam dos desenhos do sujeito. Não é um artista brilhante, claro, mas seu traço e narrativa são limpos e objetivos, sem firulas, servindo bem à tarefa de contar uma história. Além disso, a expressividade de seus desenhos chama a atenção. Na página 35, por exemplo, é possível perceber nitidamente todo o abatimento do Homem-Aranha, mesmo com o rosto encoberto pela máscara.

Novamente, temos uma capa alternativa de Michael Turner, agora com uma Mulher-Aranha toda desconjuntada, numa pose esquisitíssima. Eu imagino que ela esteja correndo, mas, sinceramente, nunca vi ninguém fazer uma pose tão estranha para dar um simples pique. Isso sem mencionar a cintura muito fina, em contrapartida às outras partes do corpo, que são totalmente desproporcionais. Nem o Capitão América desenhado no plano de fundo se salvou desta vez, pois seu rosto ficou excessivamente quadrado.


por SKRULL em 05/05/2008
Nã-ni-nã-não dessa vez o Loeb não leve meu dinheirinho. (Tudo bem que cai feito um patinho em Batman e Spirit.)
por EvandroL2Badini em 05/05/2008
Muito fraca essa mini, esse lance de ficar relembrando o passado que o Loeb usa (e abusa) enche o saco.
por SKRULL em 06/05/2008
Imaginei,a afinal com o Loeb a garantia de bom invetimento é não comprar. Sobre o post esse desenho da Mulher aranha realmente é muito sinistro.
por Borba em 08/05/2008
Gente, li a n° 2 nesse final de semana e gostei. Essa 1 é bem inferior. Só estranhei a ordem das histórias da 2, pois a última deveria ser a 1°. Mas gostei das histórias.
por Orpheu em 08/05/2008
A ordem é aquela mesma, Borba. Todas as demais histórias da mini se passam antes do funeral.
por Borba em 08/05/2008
Mas pq na última *SPOILER* *SPOILER* *SPOILER* o Ferroso fala sb o falecido Gavião Arqueiro, noutro momento mostra os vingadores anti registro estarem jogando cartas, todos fatos já trabalhados?
por Orpheu em 08/05/2008
Vou ter que dar uma outra conferida, mas acho que os Novos Vingadores estão só reunidos e não jogando baralho...

Já essa fala do Stark pode ter sido comida de bola do roteirista mesmo, porque na primeira história da segunda edição o Gavião diz que o Steve não foi nem enterrado ainda. E a história do Aranha é imediatamente após a briga com Wolverine, na segunda história da primeira edição.
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