
Panini Comics/Marvel Comics
R$ 19,90 – Edição Especial Encadernada
Formato: 18,5 x 27,5 cm - 100 páginas
Setembro de 2007
LOKI: LOKI #01, #02, #03 & #04 - Nota: 10,0
Argumento: Robert Roldi
Arte: Esad Ribic
“O trapaceiro pode enganar a todos... menos a si mesmo”. Essa frase, proferida por Hela, rainha de Niffleheim (Reino dos Mortos), no final da HQ resume perfeitamente o personagem principal dessa grande história, contada por Robert Rodi e pintada, de forma inesquecível, por Esad Ribic.
LOKI é uma revista diferente, especial. A começar pelo foco da história, pois aqui o personagem principal é o vilão; Thor pouco aparece, sendo “apenas” um coadjuvante. Tal decisão não poderia ter sido mais acertada; ao final da revista fica a absoluta certeza de que Loki, o deus da trapaça, é um personagem infinitamente mais interessante que Thor. Por vezes mesquinho, invejoso, cruel... Loki possui os exatos adjetivos para ser considerável um odioso vilão, mas ele também é capaz de se arrepender, sentir piedade e amar. É uma personalidade complexa, que de forma alguma poderia ser condensada neste review.
É impossível saber se seus atos cruéis são uma forma de externar seus desejos malignos ou se apenas constituem numa maneira perigosa e infantil de chamar a atenção. Sinceramente, não ter a resposta para esse tipo de questionamento, somente torna mais fascinante esse melancólico personagem. Talvez exatamente por seu jeito dúbio ninguém lhe trate com o respeito que ele acredita merecer. Sua forma insegura e, por vezes, contraditória de agir, faz com que todos à sua volta tentem controlá-lo, mesmo quando se torna o senhor absoluto de Asgard.
É isso mesmo que você leu! Nesta história Loki consegue o que sempre sonhou, subjugar Odim e todos seus filhos, incluindo Thor! Mas não espere encontrar, nas páginas dessa revista, a forma como Thor foi derrotado por Loki. Robert Rodi, de forma corajosa e acertada, não tece detalhes sobre o golpe aplicado pelo deus da trapaça em seu pai e seu meio-irmão.
No meu entender, esse é o principal ponto positivo da narrativa adotada por Rodi. Seu texto não faz questão de explicar todos os detalhes que ocorrem ao redor dos personagens da trama; diversas questões são deixadas para o imaginário do leitor, o que torna a leitura ainda mais prazerosa. Não se espante ao encontrar, a cada leitura, uma motivação diferente para as ações de Loki.
Entretanto, o grande trunfo desta HQ e o principal motivo pelo qual ela é um artigo indispensável para qualquer pessoa minimamente interessada em colecionar revistas em quadrinhos é a fantástica arte de Esad Ribic.
Seu trabalho durante toda a HQ é impressionante. Não só pelas estupendas pinturas que norteiam cada página da revista, mas porque sua arte completa o excelente texto de Robert Roldi, amplia a profundidade de cada personagem e torna todas as situações mais críveis, belas, cruéis...
A caracterização de Loki é perfeita. Seus gestos, suas reações e seus sentimentos são retratados de forma realista por Ribic, que, com suas pinturas, transformou Loki em um ser ainda mais enigmático. Suas reações ao interagir com os demais componentes da história provocam no leitor os mais diversos sentimentos: amor, ódio, repulsa, compaixão, etc.
Enfim, é inútil tentar representar por palavras o grande trabalho desenvolvido por Ribic durante toda a revista. Somente o seu talento já faz valer cada centavo gasto na compra da HQ.
Por falar em centavo gasto, é de ser louvado o trabalho da Panini na edição desta revista luxuosa, com capa dura e papel chouchê, porém com um preço acessível. Ademais, ao final da revista existe um texto, o qual tece linhas gerais sobre a mitologia nórdica, principalmente o papel fundamental de Loki no destino da família de Odin (inclusive, aconselho iniciar a leitura da revista por esse texto final, garanto que a leitura da HQ ficará mais clara e inteligível, principalmente para aqueles que, como eu, não conhecem a fundo dos deuses nórdicos).
Um texto competente, com uma arte deslumbrante e por um preço justo... precisa dizer mais alguma coisa!