
Panini Comics/DC Comics
R$ 6,90 - Mensal
Formato Americano - 100 páginas
Outubro de 2007
Liga da Justiça da América: Justice League of America #01 – Nota: 7,0
Argumento: Brad Meltzer
Arte: Ed Benes
Arte-final: Sandra Hope & Mariah Benes
Cores: Alex Sinclair
O Rastro do Tornado (Parte 01) - Enquanto a Trindade discute quais os membros ideais para uma nova Liga da Justiça, estranhos eventos ocorrem com Raio Negro e Vixen, assim como com o Tornado Vermelho.
Já li diversos comentários de pessoas que leram as 12 edições americanas da Liga da Justiça escrita por Brad Meltzer e que se decepcionaram pela falta de ação das mesmas. A julgar por este começo, presente nesta edição da Panini, de fato a ação não será o ponto forte. Contudo, deve-se destacar que Brad Meltzer é escritor de romances e, como tal, deve-se pautar por uma introdução, apresentar personagens, desenvolvendo perfis, até se chegar ao clímax e desfecho. Se assim for, entendo que devemos ter um pouco de paciência com a leitura, aguardando os próximos capítulos (apesar de, particularmente, preferir histórias da Liga da Justiça, assim como dos Vingadores, com altas doses de ação desenfreada, “quebra-paus”, sagas eletrizantes, fora sentir saudades, até hoje, da Liga Cômica, verdadeira revolução do modo de se escrever um título de super-heróis).
Retornando a este primeiro capítulo, achei interessante os diálogos da Trindade discutindo acerca dos “candidatos” a membros da Liga, cada qual com sua opinião e tentando defendê-la. Aqui a receita de Meltzer não é nenhuma inovação, pelo contrário. Por um lado, constrói uma convocação de heróis por parte da Trindade. De outro lado, narra certos eventos que irão desembocar na reunião de alguns outros heróis que inicialmente não seriam os preferidos, mas que, pelo destino, comporão a Liga, assim como ocorreu em diversas outras formações desta equipe e de tantas outras, ao longo da história, seja da DC, seja da Marvel (basta lerem, para citar um exemplo mais recente, a formação dos Novos Vingadores de Bendis).
Chegou a ser até engraçado, também, a participação de Oliver Queen. Os trechos com o Tornado Vermelho me lembraram um pouco o Visão, com lances de família, vontades, humanização, etc.. Mas um tanto quanto “forçado” demais o lance da tal alma do Tornado. Em épocas anteriores, foi esclarecido que ele seria um Elemental do Ar. Assim como o Nuclear um Elemental do Fogo. Mas ter alma já seria um exagero, ao meu ver. Por outro lado, a explicação do Batman para qual seria o mais vantajoso de se ter o Tornado como membro, ou seja, o fato dele ser um andróide, quase indestrutível, achei uma sacada muito boa. E, como todo início de um arco, de um novo título, há o vilão ainda nas sombras, sem poder ser reconhecido.
Um último detalhe: se na edição anterior Brad Meltzer ignora por completo diversos eventos da cronologia da Liga da Justiça, nesta ele também não quer saber acerca do que a DC fez com o Questão na saga 52, que seria anterior aos eventos aqui mostrados, e o cita para introduzir Vixen no contexto da história.
Quanto à arte, o brazuca Ed Benes manda muito bem, como de praxe. Apenas parece um pouco mais rebuscada do que na época de Aves de Rapina. Inclusive a capa da edição brasileira é assinada por ele também, contendo dezenas de heróis e candidatos a vagas para a nova formação da Liga da Justiça.
Liga da Justiça da América: DC Comics Presents - Justice League of America #01 – Nota: 7,0
Argumento: Marv Wolfman
Arte: Dustin Nguyen
Arte-final: Richard Friend
Cores: Jeromy Cox
Quem invadiu o quartel-general da Liga da Justiça?
Um one-shot curto, escrito pelo veterano Marv Wolfman, e que fez parte das histórias em homenagem a Julius Schwartz.
Um bom divertimento, bem leve, em tom saudosista, como toda homenagem costuma ser.
Apenas a arte, em minha modesta opinião, poderia ter sido melhor.
Caçador de Marte: Martian Manhunter #01 - Nota: 7,0
Argumento: A. J. Lieberman
Arte: Al Barrionuevo
Arte-final: Bit
Cores: Marta Martinez
Os Outros entre Nós (Parte 01) - O Caçador de Marte tenta auxiliar outro de sua raça.
Começa a mini do Caçador de Marte que promete revolucionar um pouco este personagem que ficou conhecido por toda a sua trajetória na Liga da Justiça.
Se Grant Morrison havia introduzido no universo DC os marcianos brancos, agora, A. J. Lieberman decide mostrar que há ainda, também, marcianos verdes vivos e, o que é pior, usados como cobaias aqui no planeta Terra. E a reação de J’onn J’onzz não se dá da forma mais pacífica e moderada que lhe era tão peculiar em tempos de Liga da Justiça até hoje. E não é só o temperamento do Caçador que é tema de mudanças. Seu visual também, tornando-se mais alienígena, e, inclusive, gerando sentimentos de desconfiança e horror por parte dos seres-humanos, que passam a não reconhecê-lo como o super-herói que sempre foi apenas por esta mudança de visual, o que também contribuiu para o atual estado de ânimo do Marciano.
Enfim, não sei se me agradará muito esta mini do Caçador de Marte, e até quais limites o escritor o levará. Isto porque sou um dos fãs do Caçador, sentindo falta dele, inclusive, na nova formação da Liga da Justiça. Como já disse aqui antes, em comentário a alguma edição passada, considero o Caçador a alma da Liga. Foi o único a permanecer constante em praticamente todas as suas formações, podendo ser considerado um pilar básico para a constituição da equipe em todas as suas eras. Desta forma, considerei um pouco de descaso de Brad Meltzer, em alguma entrevista que deu, se não me engano, afirmar que o Marciano não seria de tanta importância assim para a equipe.
E também não sei se não é um erro tentar, agora, alterar a personalidade e visual do personagem para uma visão mais “suprema” ou violenta. Heróis assim existem aos montes. Mas um alienígena que seria bem mais humano que a maioria das pessoas, tão poderoso quanto o Superman, mas extramemente cuidadoso ao utilizar seus poderes, isto sim seria um diferencial e o próprio carisma de J’onn J’onzz.
Quanto à arte, está boa. Nada excepcional. Mas nada que desagrade também.
Lanterna Verde: Green Lantern #15 – Nota: 9,0
Argumento: Geoff Johns
Arte: Ivan Reis
Arte-final: Oclair Albert
Cores: Moose Baumann
Procurado: Hal Jordan (Parte 02) - Hal Jordan enfrenta os Guardiões Globais, caçadores de recompensas intergaláticos, Sovietes Supremos e... a Liga da Justiça?
A ação continua ininterrupta nas páginas do Gladiador Esmeralda. Antes de qualquer comentário acerca desta edição, fica aqui registrado o pedido de desculpas deste humilde revisor, que teimou, pelo menos no último review, a digitar Hal com dois “l”, ficando Hall. Acho que, com o acúmulo de serviço, cansaço, correria, essas coisas, o mané aqui acabou mesclando Jordan com Hall of Justice, ou Hall of Fame, sei lá. Assim sendo, não me crucifiquem ainda, fãs de Hal Jordan... (N.E.: E nem o editor que deixou o furo passar. =))
Voltando ao que merece realmente atenção, ou seja, a história em si, a tal explicação para o comportamento dos Guardiões Globais, que deixei registrada, na edição anterior, que deveria ser dada por Geoff Johns, foi fornecida. Nada de espetacular, ou seja, o mais que famoso controle mental por parte de alienígenas. Fora a batalha de Hal por sua própria liberdade, Johns aproveita a edição para continuar a preparar o campo para a Tropa de Sinestro, retoma o assunto de 52, e traz o retorno de uma antiga inimiga de Jordan, Safira Estrela. E ainda consegue tempo para brincar um pouco com o Diabo da Tazmania e sua escolha sexual, no maior estilo Judd Winick, ao mesmo tempo que destaca o maior poder da Raposa Escarlate, qual seja, feromônios (iguais ao da Mulher-Aranha nas páginas de Novos Vingadores?).
E somente agora, com a apresentação de nomes, pude me lembrar de mais dois membros destes Guardiões Globais. Se não estiver enganado, não seriam Brilho e Jato, oriundas da saga Milênio, de décadas atrás? Aquela, em que alguns seres humanos foram evoluídos para serem o próximo passo da humanidade? E o Manticore é o mesmo que participou de Esquadrão Suicida? Haja resgate de personagens esquecidos, se forem eles mesmos...
E toda esta ação escrita por Johns ganha corpo e proporções maravilhosas no traço de Ivan Reis, para mim, atualmente, um dos melhores, ou o melhor, artista em atuação. O que ficou melhor: o quadro duplo dos Guardiões, com um Demônio da Tazmania enfurecido, investindo contra Hal; ou a sensualidade de uma Raposa Escarlate, tentando seduzí-lo; ou uma pedra tomando o corpo de uma jovem e transformando-a na nova Safira; ou a forma como é retratado o mundo de Qward e um dos membros da Tropa de Sinestro; ou o quadro duplo, com os Sovietes Supremos voando em direção a Jordan? Tem para todos os gostos.
E capa a cargo de outro desenhista excepcional, o não menos talentoso, e com estilo próprio, Ethan Van Sciver. E que Lanterna Verde continue assim, e por muito tempo.