
Panini Comics/DC Comics
R$ 6,90 - Bimestral
Formato Americano - 100 páginas
SJA Arquivos Confidenciais: SJA Classified #01, #02, #03 & #04 - Nota: 9,0
Argumento: Geoff Johns
Arte: Amanda Conner
Arte-final: Jimmy Palmiotti
Cores: Paul Monts
Eu sei que devia começar este review comentando seu argumento ou a arte de suas páginas internas, mas... Não deu. Eu tenho que falar algo da capa de Adam Hughes. Aliás, nem sei se tenho como falar algo: sua Poderosa é simplesmente embasbacante, linda, sensual... Procure qualquer adjetivo e aplique aqui. Phil Jimenez devia ter vergonha de desenhar um monte de músculos com cabelos loiros e dizer que é a mesma personagem.
Bem, sobre a história, ela tem relação direta com a mega-série Crise Infinita (qual revista atual da DC não tem?) e, mais especialmente, com eventos na segunda edição da Crise.
A Poderosa (ou Karen Starr, ou Kara Zor-El), antes da Crise nas Infinitas Terras, era da Terra Paralela, ou Terra 2, onde estavam os super-heróis originais, e mais antigos, que formavam a Sociedade da Justiça. Ela era prima do Superman e, junto com a Caçadora (Helena Wayne, filha do falecido Batman e da Mulher Gato desta terra), era o sangue novo da equipe. Depois da Crise, ela foi reincorporada de maneira meio torta ao novo universo. Participou de várias equipes como Liga da Justiça Internacional, Liga da Justiça Europa, Sociedade da Justiça e, desculpem a expressão, os “Super-amiguinhos” e teve sua origem recontada diversas vezes, ora sendo uma kryptoniana, ora sendo neta do feiticeiro Arion (o que a faria parente do Aquaman!).
Como a ordem do dia nesse tempo de crise é organizar a casa, consertando erros e dando algum sentido a eles, essa tarefa coube ao faz-tudo da DC, Geoff Johns. No título da SJA e no próprio do personagem, Johns tentou consertar o furo da cronologia do Gavião Negro. Mesmo não ficando um trabalho muito satisfatório, deve-se lembrar que já foi algo significativo, dada a confusão que envolvia o herói alado.
Com a Poderosa, o autor tenta consertar sua história usando o humor, e acerta a mão. Se com o Gavião, o drama e o romance foram a melhor pedida, qual seria a melhor forma de se tratar de uma heroína que é carinhosamente chamada pelos fãs de “peitorosa”? As piadas envolvendo seu decote, inclusive, foram muito boas. E nem foram machistas. Se por um lado havia o lado machista do homem em não se controlar em ver, hã... Aquele decote (repito o termo por falta de outro tão leve), havia o lado feminista, na preocupação de Kara em que o homem que esteja conversando com ela olhe para seu rosto e não para... Bem, para baixo de seu rosto.
Em um primeiro momento, o Doutor Meia-Noite, depois de examinar a moça, garantiu que seus poderes não eram místicos e, por conseqüência, ela não teria parentesco com Arion, para logo após ela ser atacada pelo irmão do feiticeiro. Então, descobre-se em sua nave um anel dos legionários e o grupo aparece dizendo que a Poderosa seria na verdade Andrômeda, membro da equipe vinda do futuro para enfrentar Mordru. A Poderosa, para variar um pouco, acaba confrontando a equipe, que some como se não estivesse lá, da mesma maneira que o feiticeiro.
Ao final da segunda história da edição, descobre-se o verdadeiro vilão: o Pirata Psíquico. Na terceira edição, onde se revela que ele trabalha para Luthor, e está mexendo com a mente dela a mando do careca, aparecem mais supostas origens para Kara: Ela seria prima do Ultraman, do Sindicato do Crime; filha de Conner, o Superman do futuro em que os Titãs foram parar; uma Kandoriana; seria da família Marvel; da Zona Fantasma... Por fim, temos um pouco do passado do Pirata e ele conta à Poderosa sua verdadeira origem, relacionada com a Terra Paralela.
Os desenhos de Amanda Conner casam bastante com a proposta de Johns, dando um clima bem descontraído à história, como é a personalidade da poderosa. Seu estilo, seguindo a linha dos desenhos animados, é bem original e deu bastante fluidez à trama, e as cores fortes de Montz fecharam tudo com chave de ouro.
Saldo final: Não é uma história imprescindível e que vai revolucionar o mercado, mas é bastante gratificante para os fãs da personagem e da Sociedade da Justiça, além de enriquecer a trama de Crise Infinita #02 (onde finalmente se sabe o porquê de tantas origens ao longo de todos esses anos). Além do mais, é um ótimo divertimento, e não é sempre que se acha tal coisa nas bancas. Merece uma nota alta só por isso (bem, não só por isso).
Melhor Momento: Poderosa diz a Kal-El (O Superman, oras!) que não usa aquele decote por exibicionismo, mas porque queria ter algum símbolo. Aquele buraco está ali porque ela não conseguia achar o que colocar. Era tão vazio quanto ela. (se bem que não é tão vazio assim)