
Panini Comics/DC Comics
R$ 8,90 – Minissérie em 6 edições
Formato Americano - 100 páginas
Projeto O.M.A.C.: The O.M.A.C. Project #06 – Nota: 10,0
Argumento: Greg Rucka
Arte: Jesus Saiz, Cliff Richards & Bob Wiacek
Cores: Hi-Fi Desing
Após a morte de Max Lord, o Irmão Olho acionou todos os O.M.A.C.s e eles estão caçando (e matando!) todos os meta-humanos. Enquanto isso, Sasha e Batman armam um plano para detê-los, que envolve um vírus de computador, uma arma do falecido Besouro Azul e uma grande reunião de heróis no deserto.
Esta edição fechou com chave de ouro uma ótima minissérie. Embora muitos digam que foi forçada a transformação de Max em vilão, ele já havia atuado nessa área (como integrante da Royal Flash), nunca foi confiável e mostrou-se um grande “traidor”, por sempre ser visto como “líder da mais insignificante das Ligas”. Talvez por isso o ato da Mulher-Maravilha seja ainda mais violento, já que ela estava matando uma pessoa que traiu a confiança da Liga da Justiça. O plano de Max em exterminar todos os metas, os quais ele classificava como ameaça, foge do óbvio ao lembrarmos que ele próprio tem poderes. Ele estaria, assim, aniquilando a própria raça. Ao menos tenho que agradecer a Max pela morte dos Super-Homens da América. Finalmente!
Outro ponto chave é a transformação de dois personagens: Gladiador Dourado e Sasha. O primeiro parece finalmente cair em si depois de anos de brincadeiras ao ver Sue, Ted e Dimitri mortos e Fogo no hospital (praticamente toda sua equipe desmantelada) e resolve voltar para o futuro. Enquanto Sasha finalmente é um personagem sólido e bem desenvolvido, ao passo que foi criada nas histórias do Batman como uma “Batgirl” de terceira linha.
A batalha no deserto, onde vemos o rancor do heróis quanto ao morcego e a confiança que finalmente depõem sobre Ted é comovente, como também a última cartada do Irmão Olho. Leiam e entendam como esse satélite é sacana.
Não há como elogiar mais o texto de Rucka, nem a arte de Saiz. Ambos são impecáveis. Cliff Richards e Bob Wieacek conseguem se aproximar bastante da arte do desenhista oficial nesta parte, deixando a história mais homogênea e mais bela.
Sem dúvidas, a melhor parte do mix.
Dia de Vingança: Day of Vengeance #06 – Nota: 5,0
Argumento: Bill Willingham
Arte: Justiniano
Arte-final: Walden Wong
Cores: Chris Chuckry
O Pacto das Sombras, contando com os incríveis poderes de Alice Sombria (Alice Sombria e o pacto das Sombras... Parece nome de banda dos anos 70) não são capazes de deter o Espectro, embora levem a Eclipso como prêmio de consolação. Por fim, o Espírito da Vingança MATA o Mago Shazam e destrói a Pedra da Eternidade.
Pronto, falei. Eis o fim da trama. Você pode, agora, economizar uns quinze minutos do seu dia. Não precisa mais ler a história, só folheie para ver a arte da minissérie, que merece todo o elogio. Fora uma substituição breve do desenhista oficial há algumas edições, tudo foi visualmente impecável. Justiniano, além de ter um traço original e detalhista, mostrou-se a escolha certa para este projeto. A arte-final de Wong e as cores de Chuckry também são dignas de parabéns, e ajudaram a ambientar mais ainda a arte de Justiniano ao universo da magia da DC. Espero vê-los cada vez mais vezes por aí.
Bem, agora que se falou do ponto alto de Dias de Vingança, está na hora de falar da minha maior decepção e da única coisa que faz com que essa série seja uma vergonha para o mix: o pobre roteiro de Bill Willinghan. O Universo mágico da DC sempre foi explorado de maneira rica: Livros da Magia, Brigada dos Encapotados, etc... Até a Zatanna, que foge da linha mais poética dessas histórias citadas e vai mais para o estilo de super-herói propriamente dito, como parece ser esta a intenção aqui, teve uma exploração bacana, fugindo do óbvio.
Aqui está o problema de Willinghan: ele fez uma história convencional, apoiada simplesmente em clichês. Todas suas saídas foram óbvias ou pseudo-inteligentes, como quando os personagens principais da revista não conseguem vencer o vilão. Este não seria um problema tão grande para uma história corriqueira de algum personagem menos importante, mas, quando se compara esta aos outros três títulos do mix, não dá pra deixar de sentir uma ponta de desapontamento. Além do mais, se perdeu uma ótima personagem como Jean Loring ao transformá-la em mais uma super-vilã padrão.
Uma nota importante, que deve ser lembrada, vem de uma fala do Mago Shazam, ao alertar o Espectro que ele não estava destruindo a magia, mas a deixando em seu estado bruto.
Vilões Unidos: Villains United #06 – Nota: 9,0
Argumento: Gail Simone
Arte: Dale Eaglesham
Arte-final: Wade Von Grawbadger
Cores: Sno-Cone
A Sociedade de Luthor faz um ataque em massa ao Sexteto Secreto, enquanto Lex tem uma conversinha nada amistosa com Párea. Mas, um momento, de que Lex estamos falando?
Mark Millar é um escritor excepcional, mas tem um grave defeito: nunca consegue dar um desfecho adequado a suas tramas. Gail Simone, embora tenha surpreendido em Vilões, nunca passou de mediana, mas não caiu no mesmo erro do mestre. Que bom, não é?
A história tem um final eletrizante, com muita ação e momentos dramáticos. Entre eles temos a luta de Boneco de Pano e seu pai, de Tália e Escândalo (ambas filhas de imortais) e a morte do Parademônio nos braços de seu amigo, o Boneco. Gail fez um bom uso da alegoria do clown ali. Para quem não conhece essa alegoria, ela diz que todo clown (o velho palhaço de circo) é compelido a animar os outros enquanto ele mesmo é triste. Isso porque o que buscamos em tristeza é alegria, e as tristezas, nossa e dele, se completam. E ela fez isso em apenas uns dois balões, quando o Parademônio pede uma última piada (morra de inveja Bendis).
Porém, não é a ação, mas a revelação de quem é o Harpia que é o maior tempero dessa última edição. Ele é Lex Luthor. Aparentemente, o verdadeiro Lex Luthor, enquanto o líder da Sociedade é um farsante. Deve-se prestar bastante atenção nas palavras de Párea para o falso Lex. Intrigantes.
Últimos comentários sobre argumento e arte: Gail Simone me surpreendeu, fazendo um trabalho muito superior a Birds of Prey. Enquanto a arte de Eaglesham me faz contar os dias para a nova Sociedade da Justiça, que só deve aportar aqui no Brasil no ano que vem. Vai ser um longo ano. Wade Von Grawbadger e o estúdio Sno-Cone foram apenas corretos, e só.
Melhor Frase: “Na cara ou coroa?”.
Pistoleiro, quando o Homem-Gato diz que eles têm que se decidir entre estar do lado dos vilões ou dos mocinhos.
Guerra Rann-Thanagar: Rann-Thanagar War #06 – Nota: 9,0
Argumento: Dave Gibbons
Arte: Ivan Reis, Joe Prado & Joe Bennett
Arte-final: Marcelo Campos, Joe Prado, Oclair Albert & Jack Jadson
Cores: John Kalisz & The Hories
Onimar Synn parte com seu exército de mortos-vivos em uma investida final contra a família real de Rann e seus aliados. Quando a situação parece ter se resolvido, a guerra mostra que já tomou proporções universais e um cataclismo cósmico consegue tornar péssima uma situação que já era ruim.
Gibbons conseguiu não se perder entre os inúmeros personagens que apresentou ao longo da minissérie. Se a idéia era dar uma revitalizada nas histórias espaciais da DC, o escritor parece ter sido bem sucedido. Não só velhos e esquecidos personagens como os Omega Men e o Capitão Cometa foram reintroduzidos de maneira discreta, mas carismática, como figuras carimbadas da editora foram aprofundadas. Finalmente é possível entender o que impulsiona Thanagar e Rann a serem o que são.
Todo o desespero em defender sua vida através da proteção dos rannianos pode ser sentido através de Aleea, a pequena filha de Adam Strange, enquanto a tentativa de salvar-se através da conquista dos thanagarianos está viva nas ordens dadas pelo Grande Mor. Mesmo sem entender o que está acontecendo à sua volta, ele ataca.
Também é notável a crítica que Gibbons faz à guerra: uma vez que ela começa, é como um palito de fósforo aceso derrubado em uma lata de gasolina. Não há como conter a explosão. A guerra espacial está descontrolada, justamente na hora em que o universo parece estar se quebrando, e, em vez de tentar descobrir o que está acontecendo e conter a ameaça, os planetas estão culpando uns aos outros e lutando. Nada parecido com o que fazemos na Terra, não?
A arte do trio de brasileiros é aquela arte que as de Jim Lee e de Rob Lefeld tentam ser e não conseguem: seus heróis são fortes, mas não excessivamente musculosos, suas mulheres são lindas, mas não vulgares, e os cenários são embasbacantes. A arte-final é bem diferente e ajuda a dar um tom épico à história.