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Saia Justa: O Feminismo nos Quadrinhos
© Guilherme Smee [1|2|3|4]

Parte 3 de 4 ? A Miss

A exemplo das outras três séries da Casa das Idéias (Shanna, Night Nurse e The Cat), Ms. Marvel, lançada em 1977, também trazia uma história de superação feminina. O alter-ego de Miss Marvel é Carol Susan Jane Danvers, a filha mais velha e única garota de uma família muito grande, que passou a infância competindo com seus irmãos mais jovens. Desde muito cedo, Carol teve uma natureza independente e grandes aspirações para o futuro. Estes desejos, contudo, eram repreendidos pelo pai da moça, que preferia investir o seu dinheiro na educação de seus filhos homens e acalentava a crença que um marido seria a solução para os problemas da jovem, pois este a sustentaria pelo resto de sua vida.

Pioneirismo feminino: desrespeitando seu pai, Carol buscou uma vida nova, graduando-se como melhor aluna da classe e logo após, ingressando na força aérea

Desobedecendo a seu pai e seguindo sua admiração pela aviação e seu sonho de voar, Carol Danvers se alistou na Força Aérea depois de ter concluído o segundo grau como uma das melhores alunas da turma. Rapidamente, Carol ascendeu na Força Aérea, tornando-se parte da equipe de inteligência militar e trabalhando como espiã para o governo. Um dos parceiros mais freqüentes da jovem, naquela época, foi Logan, também conhecido por Wolverine.

Depois de anos trabalhando para a inteligência, Carol chegou ao posto de major. Naquela que seria sua missão final para a CIA, Carol foi aprisionada e torturada pela KGB. Resgatada por seus amigos contra as ordens federais, ela deixou o trabalho de campo na inteligência e foi trabalhar como chefe de segurança da base da NASA em Cabo Canaveral. Foi lá que a futura super-heroína conheceu o Capitão Marvel, um alienígena kree infiltrado, primeiramente em sua identidade civil falsa, o Dr. Walter Lawson, e depois como o mascarado Mar-Vell.

Curiosa sobre Lawson e confiando cada vez mais em Mar-Vell, Carol via o Cabo Canaveral ser o epicentro de vários fatos bizarros, já que o alienígena era atacado por adversários e mesmo por seu superior kree Yon-Rogg. Carol foi pega no fogo cruzado e, apesar de suas habilidades, ficava freqüentemente em perigo para depois ser resgatada pelo suposto herói. Também crescia sua atração pelo corajoso Capitão, sem que ela desconfiasse de sua origem extraterrestre. Esses sentimentos se refletiam em Mar-Vell, que os negava com muita dificuldade. Assim, mesmo quando pareceu que o Capitão Marvel fosse um traidor, Carol se recusou a acreditar e buscou sua exoneração.

A revista Ms. Marvel foi publicada em 1977, escrita por Gerry Conway e desenhada por John Buscema. No balão: ?Enfim! Uma super-heroína totalmente nova na mesma tradição surpreendente de Homem-Aranha!?. Na caixa: ?Apresentando a guerreira feminina mais poderosa depois de Madame Medusa! E se você pensa que nossa protagonista é demais, espere até ver seus famosos personagens coadjuvantes!?

Para se vingar do herói, Yon-Rogg seqüestrou Carol, planejando uma armadilha. Presa, ela finalmente descobriu a verdade sobre o Capitão Marvel. Yon-Rogg usou uma poderosa e proibida arma kree, o Psico-Magnitron, descrito como capaz de transformar desejos em realidade, mas mesmo assim foi derrotado. Contudo, quando Mar-Vell levava Danvers, gravemente ferida, para longe dali, o dispositivo explodiu, banhando-os em energia. Carol desejava poder, para ficar nas mesmas condições que o Capitão Marvel, e não como uma vítima indefesa. O Psico-Magnitron usou energia dos Nega-Braceletes do alienígena para reconstruir o DNA de Carol, criando uma síntese de genes krees e humanos e confeccionando para ela um traje nos moldes do de Mar-Vell. Depois de se recuperar do incidente, Carol voltou ao trabalho na NASA e posteriormente publicou um livro sobre a indústria da aviação, que se tornou um best-seller, o que lhe abriu carreira no campo do jornalismo.

Foi no meio destes acontecimentos que se desenrolavam as histórias de sua revista própria, Ms. Marvel, os eventos narrados anteriormente se passam na revista do Capitão Marvel. Com o sucesso de seu livro passa a editar a revista feminina ?WOMEN?, de J. Jonah Jameson. A publicação estava com suas vendas afundando e coube à Carol revitalizá-la. Rapidamente descartou o enfoque dado por Jameson como uma revista cheia de dicas de beleza e receitas de quitutes e buscou uma visão mais revolucionária focando em assuntos e conquistas das mulheres. Um destes temas era a estréia de uma nova super-heroína, Miss Marvel, que era um mistério para todos, inclusive para Carol Danvers.

O fato é que Danvers não tinha consciência de seus atos como a heroína, pois como efeito colateral de seus novos poderes kree, o Psico-Magnitron não havia apenas lhe dado um corpo, mas também uma mente alienígena. A partir de então, ela passa a encarar os desafios advindos de uma vida dupla e estressante como editora de revista e super-heroína nas horas vagas, que para sua mente ?humana? pareciam lapsos de memória.

Seguindo uma onda de revival dos anos 70, Ms. Marvel, voltou a ter uma revista dedicada a ela mesma em 2005, escrita por Brian Reed e desenhada por Roberto de La Torre, com capas de Frank Cho

A Casa das Idéias havia aprendido com seus erros e com Miss Marvel produzia uma revista que agradava os preceitos do movimento feminista e, portanto, seria uma leitura recomendável para meninas. Ainda, encaixava-se na clássica mitologia dos super-heróis, com direito a uma vida dupla. Ia além: no melhor estilo Marvel, apresentava uma protagonista que era, de certa forma, desajustada em relação ao seu ambiente, não consciente de seu papel como heroína, ?presa em mundo que não criou?. Também tinha poderes que resultaram de um acidente e um passado familiar conturbado. Curiosamente, a revista não tinha participação feminina em seu desenvolvimento.
Carol Danvers era uma mulher auto-suficiente e influente no mundo, responsável por inspirar personagens como Mary Jane Watson a serem mais atuantes. Além disso, a personagem marcava pelo pioneirismo feminino por ingressar nas forças armadas, um campo majoritariamente masculino. Foi uma das revistas com protagonista feminina da Marvel que mais durou na época: 23 edições, uma grande exceção na editora juntamente com Mulher-Hulk nos anos 80.

Também em 1977 foi lançado The Superhero Women, de Stan Lee, uma antologia dedicada a destacar as super-heroínas da editora. Apresentava dez personagens: cinco eram coadjuvantes em títulos dominados por heróis masculinos. As outras estrelavam títulos que, se ainda não haviam sido cancelados, seriam em questão de anos. Foi outro fracasso de vendas voltado para as meninas e embalado pelo feminismo. Se por um lado a compilação buscava retratar a Marvel como uma editora moderna por destacar suas heroínas, por outro, mostrava como essas personagens estavam relegadas a papeis de pouco destaque no seu universo, com exceção, de Miss Marvel. Tomemos como exemplo as heroínas que aparecem na capa do compendio ? Sue Storm, Vespa e Medusa eram esposas de super-heróis e, portanto, relegadas a eles. Hela era uma das principais vilãs do deus nórdico Thor e Viúva Negra era um caso mais embaraçante, uma superespiã russa que vira a casaca por ter se apaixonado pelo vingador Gavião Arqueiro.

A antologia The Superhero Women, de Stan Lee, comprovando a indigência das mulheres no universo Marvel: títulos já cancelados ou cancelados futuramente

Nas décadas seguintes, com as mulheres se mostrando capazes de viver em pé de igualdade com os homens, muitas heroínas femininas surgiram, como a Mulher-Hulk, a Mulher-Aranha, e até mesmo a Garota Invisível passou a se chamar Mulher Invisível pelas mãos de John Byrne. Já Chris Claremont criou mulheres fortes e marcantes em seus X-Men, como Tempestade, Kitty Pryde e Vampira que foram capazes de atrair uma boa parcela do público feminino. Outro personagem forte dos X-Men da década de 80 foi a Fênix, uma das mais, senão a mais, poderosa personagem do grupo na época. Foi o pivô de uma das mais importantes sagas da Marvel que envolvia os mais diversos temas: romance, poder, família, traição e morte. Elektra, coadjuvante do Demolidor, criada por Frank Miller também ganhou força como personagem e em popularidade, sendo sua morte tão sentida pelos fas como foi a da Fênix. Contudo, apesar dos avanços, poucos títulos com mulheres como protagonistas conseguiram se manter no mercado. Honrosas exceções são Mulher-Maravilha e Aves de Rapina da DC Comics e Witchblade, da Top Cow.

Na última parte da matéria, saiba quais são os quadrinhos contemporâneos que subvertem, redefinem, desafiam ou apenas celebram o sexo feminino e como eles o fazem.

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por wilski em 10/05/2007:
Muito boa essa matéria, muito boa mesmo! Eu tenho as histórias da Mulher-Maravilha versão karateka publicadas em Heróis em Ação - ou seria Superamigos? - e não são nada memoráveis...
por Bel em 12/05/2007:
Nossa, adorei essa matéria! Espero que as seguintes sejam tão boas quanto!! Jurava que essa versão kung-fu da Mulher Maravilha fosse lenda... Quanto aos "desmaios" das meninas da Marvel, ainda hoje há exemplos disso... quem não sabe que a Jean Grey só sabe gemer de fraqueza enquanto usa seus poderes no X-Men Evolution, que é uma versão atual? Hehe...
por wilski em 12/05/2007:
Putz, eu pensei que ninguém ia dividir comigo os comentários dessa matéria. E sim Bel, parece que ainda temos muito exemplos da visão macho-alfa nas HQS...ainda bem que no oposto existem coisas como Júlia...
por DarthOracle em 15/05/2007:
Excelente a matéria! Aguardo as próximas partes e aguardo uma atenção especial a Jessica Jones, na minha opinião a melhor personagem feminina da atualidade, de longe.
por LeandroMagnus em 15/05/2007:
Como prometido, segunda parte no ar!
por wilski em 15/05/2007:
Essa série das enfermeiras era o que? Plantão Médico em quadrinhos? Quanto a Shanna, não sabia que ela tinha uma história anterior ao Ka-Zar, bem interessante...
por ReiLearII em 16/05/2007:
O clima político estadunidense é uma das coisas mais retardadas do planeta, os adolescentes não podem ver nudez, mas tripas escorrendo é permitido. Os gibis estão cheios de pessoas se mutilando, veja o Superboy na Crise Infinita. Se o Lois Lane pensar em mostrar a calcinha, fecham a DC Comics. Que falsidade do caralho naquele país, todas as Heroínas usam uniforme apertadinho, saem maquiadas pra porrada, uma mulher de verdade faria isso? Ela se sentiria confortável? Na cabeça dos caras todas as mulheres são putas, depois reclamam que elas prefiram ler Shojo Mangá, feito de mulheres para mulheres. Como a censura é burra. Uniforme colado no rego pode, mostrar um seio é cadeia. Pessoas se matando é legal, pessoas se amando é proibido. Meus Deus, que maluquice! Se alguma moça me chamar de idiota por gostar de ler histórias de um homem que teve os pais mortos e resolveu se vestir de morceguinho para combater o crime, ver uma menina que voa com uma saiazinha de prostituta, aceito sem chiar. Sou homem, sou idiot

Ler a continuação deste comentário...
por ShiKo em 16/05/2007:
Merecia uma citação na matéria a mini da Tigresa, da série Marvel Icons. Ela chegou até a ser anunciada na Panini, quando eles ainda publicavam noticias nas revistas.
por Hammes em 16/05/2007:
Bom, eu leio a história do morceguinho numa boa, e quanto ao machismo, as garotas estão com certeza além disso tudo, e já ganharam seu espaço faz muito tempo, e nã ome importo de ser pau mandado da mulherada!HEHEHE
por Y-Smee em 16/05/2007:
Complementando, então, sobre a minissérie da Tigresa: Escrita por Christina Z. e desenhada e finalizada por Mike Deodato Jr. a minissérie Avengers Icons: Tigra tratava de Greer Nelson se infiltrando numa delegacia para investigar Irmandade do Punho Azul, um grupo secreto de dentro da própria polícia que pode ter se envolvido na morte de seu marido, o policial Bill Nelson. Na minissérie, a personalidade de Tigresa é melhor desenvolvida e há a participação de alguns vingadores, como o Capitão América refletindo o pós 11/09. Seguindo a trilha dos fatos Greer deve escolher entre manter seu lado humano ou sucumbir ao aspecto feral: justiça ou vingança?
por ShiKo em 16/05/2007:
Valeu parceiro! Parece ser uma mini muito massa! Valeu a informação.
por RodrigoGalera em 17/05/2007:
Minha esposa tem cada vez mais uma carga de responsabilidade maior do que eu no cargo dela...hehe...e não to nem aí! Se ela começar a ganhar bem mais do que eu...também não to nem aí! É grana pô!!!!! Só machista que não confia no próprio taco é que fica com frescura!
por LeandroMagnus em 23/05/2007:
Terceira parte no ar!
por wilski em 24/05/2007:
e continua muito bom! Mas vai falar só sobre o universo de super-heróis?
por Akira_SSJ4 em 25/05/2007:
Uai, e onde mais tem feminismo nos quadrinhos wiskyu? Tá faltando falar dos fumettis? Por que não lembro muito de mulheres normais fazendo sucesso em quadrinhos... se bem que tem as mulheres das tirinhas de jornal, realmente dá pra falar disso XD
por JosenildoNSilva em 25/05/2007:
Um dos melhores artigos que já li aqui no Fanboy. Como citado por Wilsky, espero que falem das personagens femininas fora dos universos de super-heróis.
por wilski em 26/05/2007:
Bem, tem a Júlia, dos fumettis bonelli, acho que a mulher mais normal e real do universo dos quadrinhos, se não leu, eu recomendo, é quadrinho de primeira! Deixe-me ver, tem a Tina, hehehe, Modesty Blase,essa era de tiras de jornais, a 007 de saias, as Locas dos Hernandes Brothers e a Kathoo do Terry Moore. Bem, tem os eróticos, mas esses não contam na matéria, acho...
por wilski em 26/05/2007:
PÔ! Tem a Tank Girl!
por wilski em 26/05/2007:
E a Barbarella, mas agora chega, se não só eu posto...
por Akira_SSJ4 em 28/05/2007:
É, quem devia dar um sinal de vida era o Guilherme! Pessoal é muito imparcial no fanboy, que nem posta nos próprios reviews!
por Y-Smee em 29/05/2007:
Opa!Presença solicitada! Bom, a intenção da matéria era mostrar como eram os quadrinhos de super-heróis nos anos 70, auge dos movimentos feministas, o enfoque era mesmo Marvel e DC, por isso outras personagens ficaram de fora. Uma matéria sobre todas as personagens femininas dos quadrinhos seria algo quilométrico. Claro que a Barbarella teve grande influência, numa visão geral, já que o filme com a Jane Fonda é de 1968 e a personagem é extremamente libertária e transa com robôs. Mas pra quem pediu pela Katchoo, ela vai dar as caras na próxima parte junto com Jessica e a Tia May. Tia May?
por wilski em 29/05/2007:
Tia May?
por Akira_SSJ4 em 30/05/2007:
Tia May millenium:?
por Y-Smee em 30/05/2007:
Precisamente.
por LeandroMagnus em 30/05/2007:
Quarta e última parte no ar. Parabéns ao Guilherme pelo trabalho, ficou bem legal.
por Akira_SSJ4 em 31/05/2007:
Nota nove, as três primeiras partes eram mais informativas. Vou celebrar só o fato de terem destacado Jessica Jones, minha personagem f-a-v-o-r-i-t-a (gay isso né?) de todos os tempos! Me amarro nessa mulher, só espero que a maternidade não decepe a já decepada (pulse)mulher sem papas na lingua!
por Y-Smee em 31/05/2007:
É realmente uma pena que a Jessica Jones não tenha mais uma revista propria com fim de Pulse. Agora as atenções da Marvel estão mais pra Jessica Drew e a Carol Danvers. Até, lendo a primeira edição da revista da Ms. Marvel na Novos Vingadores desse mês, a Carol está conversando com a Mulher-Aranha e não com a Jones, como costumavam fazer em Alias.
por wilski em 31/05/2007:
Gostei da matéria, acho que podia abordar outros quadrinhos que não os americanos, mas mesmo assim gostei... Estranhos no Paraíso é ótimo, pena que a HQM não lançou mais nada, Kathoo é muito interessante como personagem, o mesmo pra Jéssica Jones que era uma das garotas mais reais que li num gibi...
por ShiKo em 01/06/2007:
Ótima matéria, senti firmeza!
por ReiLearII em 08/08/2007:
Na próxima matéria desse estilo fale sobre Jakita Wagner, Tulipa e Renee Montoya.
por Saviochristi em 14/06/2010:
Bom, começarei falando por partes; pode ser? Eu desenhos quadrinhos em vários estilos: comics (dos EUA), gibi (nacional), mangá (japonês) e fumetti (italiano). Sei ainda haverem os formatos bande dessinée (franco-belga/da França e Bélgica e, da Suíça às vezes também), manhwa (sul-coreano) e manhua (chinês). Mas acabei nem usando nenhum dos 3 pois, já tive de pensar muito em como desenhar em mangá e fumetti de formas mais diferentes das de comics e gibi mesmos. Além disto: a forma de se escrever bande dessinée é bem mais complexa e limitada e, eles nem têm periodicidade específica; fora o manhwa e o manhua; os quais já se assemelham demais ao mangá afinal. Por outro lado: também faço desenho básico (desenho mais realista) e desenho alternativo (desenho livre); como forma de compensar, só não estou fazendo desenho não-artístico (o qual não se encaixa entre minhas funções no momento; embora eu desenhe um pouco de tudo praticamente). Mas tenho muita coisa a aprender ainda sobre desenhar: sem dúv

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