“Estamos
no ano 50 antes de Jesus Cristo. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos...
Toda? Não! Uma aldeia habitada por irredutíveis gauleses resiste
ainda e sempre ao invasor. E a vida não é fácil ás
guarnições de legionários romanos dos campos entrincheirados
de Babaorum, Aquarium, Laudanum e Petibonum...”
As aventuras destes valentes gauleses, viciados em javali e
zaragatas tiveram ínicio em 29 de Outubro de 1959 na revista francesa
“Pilote” quando René Goscinny (o argumentista) e Albert Uderzo
(o desenhista), amigos há já 8 anos, decidiram criar uma personagem
relacionado a um tema Francês, pois achavam que os jovens leitores franceses
consumiam HQ americana demais.
Astérix e companhia ganharam vida, e estava trilhado
o caminho para o sucesso e reconhecimento mundial (aliás Goscinny disse
uma vez que o nome do gaulês começa com a letra “A”,
para figurar em bom plano nas enciclopédias). Em 1961 foi lançado
primeiro álbum, que iria iniciar uma coleção de mais de
30 divertidas histórias, em que Astérix e Óbélix
se aventuraram desde a sua pacata (ou não) aldeia até lugares
mais distantes como a Bretanha, a Helvécia, a Hispânia, o Egito
(de Cleópatra) e até mesmo Roma (a capital do Império Romano).
O que possibilitou aos autores brincarem e fazerem rir com os diferentes costumes
destes povos.
Chefiados por Abraracourcix, os habitantes desta pequena aldeia
à beira mar, eram os únicos resistentes ao Império Romano
de Júlio César. A aldeia rodeada por quatro guarnições
romanas, era um local perfeito para os seus habitantes, de um lado tinham o
mar, fonte de peixe e de novos mundos, do outro uma floresta, repleta de javalis
(o seu preferido manjar), romanos para espancar e ingredientes para a poção
que lhes garantia a invencibilidade: a Poção Mágica, confinada
pelo druida Panoramix, conferia temporariamente a quem a bebia força
e invulnerabilidade sobre-humana.
Das numerosas personagens que participam nestas fabulosas aventuras
aqui está a descrição dos mais importantes:
Astérix:
“Pequeno guerreiro de espírito sagaz e viva inteligência,
a quem são confiadas sem hesitações, todas as missões
perigosas.” Personifica o altruísmo e valentia do típico
herói.
Obélix:
Como não podia deixar de ser numa HQ europeia a acompanhar o herói
nas suas aventuras está o amigo bobo que irá colocar os companheiros
em valentes trapalhadas. Inseparável amigo de Astérix, Obélix
caiu na poção mágica quando era pequeno, ficando forte
para todo o sempre, o que faz com que o Druida Panoramix o impeça de
tomar a poção outra vez (apesar dos criativos estratagemas de
Obélix para o enganar). Ao lado de Obélix está o seu minúsculo
cão Ideafix (que uiva desesperadamente quando uma árvore cai),
Obélix leva-o ás escondidas para todas as aventuras, mesmo contra
as ordens de Astérix.
Carregador e escultor de menires Obélix é inocente, pouco dotado
e sensível, adora javali e surrar os legionários romanos (os quais
não compreende: “Estes Romanos são doidos!”).
Panoramix:
O sábio Druida que criou a poção mágica. Experiente
e perspicaz, os gauleses recorrem muitas vezes aos seus conselhos.
Abraracourcix:
O chefe da aldeia, respeitado pelos seus súbditos, não se sabe
muito bem se é ele ou a sua mulher (Bonemine) quem toma as decisões
de chefia.
César
e a sua Legião Romana: Os autores aproveitaram César
para ironizar os políticos. Ambicioso e poderoso, César depressa
aprendeu a respeitar Astérix e amigos. Quanto à Legião
Romana, impotente e cheia de medo face aos gauleses, foi aproveitada para mais
umas crítica aguçadas de Goscinny, uma memorável foi quando
depois quando de levar uma surra de Obélix um legionário diz:
“Alistem-se, realistem-se, conheçam o mundo! Diziam eles…”
Visando os discursos apelatórios de recrutamento de jovens para a guerra
utilizado pelo exército (americano e não só).
Os
Piratas: Senhores do mar, tremem de pavor quando avistam um barco em
que viaje Astérix e Obélix.
Assurancetourix:
O Bardo da aldeia, canta tão mal que a sua voz desencadeia valentes tempestades,
quando no princípio das aventuras os aldeões se despedem de Astérix
e Obélix é impedido de cantar uma canção de despedida,
e na jantarada final de cada aventura é amarrado a um árvore para
não poder cantar. “No entanto, quando está calado, pode
dizer-se que é um bom companheiro…”
Outros habitantes da aldeia: Existem muitas mais personagens
nas histórias de Astérix, com personalidades distintas e bem construídas
(humor não precisa ser superficial). Destaco Cetautomatix e Ordralfabetix,
respectivamente o ferreiro e o peixeiro da aldeia, que nas suas constantes discussões
e bocas simbolizam o gosto pela discórdia e pancadaria dos gauleses.
Agecanonix e Madame Agecanonix, são um casal composto por um engraçado
velhote e a sua (muito)jovem e estonteante mulher.
Infelizmente, depois de escrever várias aventuras, Gosscinny
morreu prematuramente em 5 de Novembro 1977, contudo Uderzo continuou produzindo
obras do Astérix, assumindo os roteiros, mas falta aquele sabor especial
das sutis sátiras e analogias que Goscinny usava. Uderzo estava desenhando
o álbum "Astérix entre os Belgas" quando soube da morte
de Goscinny. O choque foi enorme: "Na altura, pensei em acabar com tudo.
Dois anos depois recuperei. Por vezes penso que talvez devesse trabalhar com
outra pessoa, mas quando penso nisso tenho a impressão de estar traindo
um amigo, mesmo 23 anos depois do seu desaparecimento."
Astérix fez fez 45 anos no dia 29 de Outubro de 2004! Já ganhou
duas adaptações para o cinema, inúmeras longas animadas,
um parque Temático (em Paris), além dos mais diversos produtos
com a sua marca estampada.
O final de cada aventura de Obélix e Astérix
acaba sempre com a aldeia reunida numa valente ceia.
Estes destemidos fanfarrões só têm medo de uma coisa: Que
o céu lhes caia em cima da cabeça! Por Toutatis!
Por Filipe Romero