ESPECIAL DO MÊS ? DEMOLIDOR
por Fernando Piccolo, Liérson Morais e PM Agria
Primórdios
Os criadores do Demolidor foram Stan Lee e
Bill Everett (este último criou Namor décadas antes), em 1964.
O nome em inglês, Daredevil, não era tão inédito
(outra editora teve um herói com esse nome nos anos 40) e um super-herói
cego também não era uma grande inovação (o Doutor
Meia-Noite da National [atual DC] só enxergava com o auxílio de
óculos especiais), mas Stan Lee enxergou outras possibilidades decorrentes
desse nome:
- Daredevil quer dizer "destemido",
"ousado", "atrevido", "intrépido". Mas
também é o nome dado a artistas circenses que desafiam as leis
da física com suas acrobacias e manobras. Um acrobata cego obrigatoriamente
seria um destemido!
- Além da providencial e sonora aliteração (DareDevil),
ao pé da letra, quer dizer "demônio ousado". Daí
os "chifres" do capuz do Demolidor! Frank Miller foi mais longe nesse
aspecto, acrescentando uma dicotomia religiosa conflitante na psique do personagem.
A pincelada final foi transformá-lo em um advogado, que defendia a justiça.
E como todos sabem, a justiça também é cega!
E para tornar o personagem mais "original", todos os seus sentidos
compensariam a visão perdida, inclusive um novo sentido: o de radar!
Origem
Matthew Murdock era filho do boxeador Jack
"Gladiador" Murdock. Com a mãe ausente, e morando no pobre
bairro da Cozinha do Inferno, em Nova York, o jovem Matt idolatrava o pai e
queria ser um boxeador também. Jack, porém, fez Matt prometer
que estudaria para se tornar alguém na vida. Ao se tornar um "rato
de livros", Matt se tornou presa fácil dos valentões da escola,
que o chamavam ironicamente de "Demolidor". Para não apanhar
mais, ele passou a treinar e se exercitar secretamente.
A
vida dupla de Matt logo teria uma reviravolta, quando salvou um senhor idoso
de ser atropelado por um caminhão. O jovem herói acabou sendo
exposto a um tambor cheio de resíduo radioativo. O trágico acidente
lhe tirou a visão. Mas lhe concedeu seus sentidos hiperaguçados
e o sentido de radar!
A tragédia da infância de Matt
ainda teria mais desdobramentos. Tempos depois, em fim de carreira, seu pai
concordou em entregar uma luta para ganhar uma bolada para ajudar nos estudos
de Matt. Porém, ao ver Matt presente no público que assistia à
luta, Jack não quis envergonhar o filho e acabou vencendo. Esta vitória
selou sua morte, ordenada pelo promotor da luta corrupto.
Mesmo cego, Matt continuou a treinar nesses anos todos. Sabendo de suas possibilidades,
prometeu vingar a morte de seu pai. Em seu confronto com o mandante do crime,
este morreu de ataque cardíaco.
Sendo estudante de direito, Matt interpretou
o fato como justiça e, vestindo um uniforme de luta, assumindo o irônico
apelido da infância e adaptando uma bengala com uma corda extensível,
tornou-se o Demolidor, promovendo a justiça quando a lei não agia.
Após montar seu escritório de
advocacia com o eterno colega Foggy Nelson, o Demolidor passou a perseguir a
justiça em duas frentes: nos tribunais e nas ruas.
Anos
60
Apesar de o Demolidor protagonizar uma história
contra criminosos comuns em sua origem, logo no número 2 da revista,
ele já entrava no esquema geral dos super-heróis, enfrentando
supervilões e até ameaças cósmicas. Refletindo essa
mudança, aposentou-se o uniforme de lutador e adotou-se um uniforme mais
colante. As primeiras aventuras tinham um tom mais sério, mas, talvez
por influência das histórias do Aranha, o conteúdo logo
passou a ser mais leve e divertido. Isso se refletiu inclusive na tosca galeria
de vilões que o Demolidor ganhou.
Dentro desse espírito brincalhão,
ocorreram situações esdrúxulas, como quando Foggy e a secretária/namorada
Karen Page começaram a desconfiar da dupla identidade de Matt. Para despistá-los,
Matt criou uma terceira personalidade: seu irmão gêmeo Mike Murdock,
com índole e hábitos totalmente opostos!
Anos 70
Os anos 70 foram a prova de fogo para o Demolidor.
Perdido e descaracterizado entre histórias tolas ou inimigos alienígenas
(por um tempo Matt Murdock inclusive recuperou sua visão, graças
à Serpente da Lua), o personagem atraía cada vez menos os leitores.
Para tentar agitar a monotonia, o Demolidor mudou para San Francisco e assumiu
uma longa parceria no combate ao crime com sua namorada, a Viúva Negra
(cuja série, na revista Amazing Adventures, tinha sido cancelada há
pouco tempo).
Após a revista se tornar bimestral e ficar à beira do cancelamento,
surgiu o desenhista que salvou e revolucionou o personagem: Frank Miller.
Anos 80
Miller logo foi promovido a roteirista e a
revista se tornou um sucesso. Além da linguagem visual extremamente cinematográfica
dos desenhos de Miller, toda a fórmula das histórias do Demolidor
sofreu uma revolução: o Demolidor rompe com a Viúva Negra,
volta para Nova York e passa a enfrentar o crime organizado e inimigos mais
humanos; sai o tom leve e despretensioso, e entra um clima sombrio, limítrofe
e ambíguo - a justiça, por ser cega, atinge a todos, mas nem sempre
de modo exatamente justo; o próprio herói se debatia entre dilemas
éticos e morais, e com isso se tornara mais violento - seus inimigos
também se tornaram mais ameaçadores e letais. Devido à
grande influência que Miller tem da cultura japonesa, elementos de ninjas
e sociedades secretas se encaixam como uma luva. Agora, sim!
O
Rei do Crime, grande inimigo do Aranha, torna-se o arquiinimigo do Demolidor
e tem a cidade de Nova York nas mãos, graças a seus tentáculos
no submundo. O ponto alto dessa fase é a saga de Elektra, em que a famosa
mercenária que mantém uma relação de amor e ódio
com Matt Murdock surge como um contraponto amoral aos ideais de justiça
do herói. A morte e a busca pela ressurreição de Elektra
e o confronto climático com o Mercenário são pontos altos
de toda a cronologia do Demolidor.
Miller se tornou um superstar e foi desenvolver
outros projetos na DC. Após a frustrada tentativa de ressuscitar Elektra
(Matt não sabia que ela havia voltado da morte mesmo), o Demolidor continua
com sua nova atitude e prossegue com o combate ao crime organizado. Até
Frank Miller voltar para um arco de sete edições (A Queda de Murdock),
desenhado do David Mazzucchelli. Elevando os aspectos sombrio e violento do
personagem a um novo patamar, revela-se que a agora degradada Karen Page vende
a identidade secreta do Demolidor para o Rei do Crime, que arruína a
carreira de Murdock em represália.
Com a licença de advogado cassada, sem
dinheiro e com o nome sujo após os últimos eventos, Matt Murdock
passa a advogar clandestinamente e por caridade na Cozinha do Inferno, até
que resolve deixar Nova York em uma viagem de autoconhecimento pelo interior
dos Estados Unidos. Nesse período, o senso de justiça do Demolidor
atrai a atenção de Mefisto, o senhor do Inferno, e seu filho Coração
Negro.
Apesar do clímax dessa fase ter sido
um impasse no Inferno, as histórias do Demolidor não foram comprometidas
em qualidade. Na verdade, representam a revigoração da fé
de Murdock em si mesmo. A década termina com o retorno a Nova York.
Anos
90
Para evitar que o Rei do Crime ataque novamente,
Matt Murdock simula sua morte usando o corpo da Contraparte Demoníaca.
Assume uma nova identidade: Jack Gladiador e começa a lavar pratos em
espeluncas na Cozinha do Inferno. À noite, porém, o Demolidor
continua em cena. Mas para enganar o Rei do Crime (que conhecia sua identidade),
muda o uniforme (terceiro uniforme), em concordância com a farsa de sua
morte. O "novo" Demolidor se mete em conspirações de
espionagem, enfrenta guerras de gangues e reencontra novamente Elektra. Também
planeja sua vingança contra o Rei do Crime, que finalmente acontece,
com a derrocada de seu império do crime. Com essa vitória, Murdock
resolve retomar sua identidade.
No final de 1998, o título Daredevil
é CANCELADO! Calma... o título recomeça do número
1 em um novo selo mais "audacioso" da Marvel: Marvel Knights. O primeiro
arco, escrito por Kevin Smith e desenhado por Joe Quesada, termina com a morte
de Karen Page. As histórias do personagem subiam ainda a um novo patamar
quanto ao conteúdo denso.
Anos 2000
Com a chegada do premiado roteirista Brian
Michael Bendis, as histórias do Demolidor se embrenham nos meandros do
submundo do crime organizado como nunca antes. A identidade do Demolidor finalmente
vem a público. E Matt Murdock é forçado a transgredir os
limites de sua preciosa justiça para derrotar seus inimigos.
Este é o novo patamar de que falamos
no final dos anos 90. Os dilemas éticos e morais do personagem estão
superados. A justiça tem de ser feita a todo custo - não importa
se precisa ser transgredida para isso!
Principais paixões e vilões
Dizem que um homem é medido por seus
amores e inimigos. O Homem sem Medo teve muitos amores e inimigos até
hoje. Nem todos foram grandes personagens, mas com certeza ficaram marcados
por suas participações na carreira do herói.
Não faremos um levantamento extenso. Apenas de quem marcou ou participou
de fatos que já citamos.
NAMOROS SÉRIOS E FLERTES
-
Glorianna
O'Breen. Fotógrafa irlandesa, foi morta por um agente renegado do
Rei do Crime.
-
Heather Glenn. Filha de um industrial,
suicidou-se após romper com Matt.
-
Karen Page. A relação mais
duradoura, Karen começou como secretária do escritório
de advocacia e evoluiu para namorada oficial. Depois de um período
desaparecida, quando se envolveu com pornografia e drogas, Karen vendeu
a identidade secreta do Demolidor para o Rei do Crime. Recuperada, tornou-se
ativista contra pornografia. Foi morta pelo Mercenário.
-
Número Nove (Number Nine). Durante
a fase em que o Demolidor percorreu o interior dos EUA, Número Nove
acompanhou o grupo. Uma mulher geneticamente engendrada para ser a esposa
ideal (tanto física quanto psiquicamente), seu paradeiro se tornou
desconhecido após o impasse no Inferno. Possuía alto grau
de regeneração.
-
Víuva Negra (Natasha Romanov).
Ex-espiã soviética altamente treinada, pediu asilo aos Estados
Unidos e se juntou aos Vingadores. Namorou Matt Murdock por um longo tempo,
incluindo a fase em San Francisco, quando se tornou sua parceira no combate
ao crime.
ENTRE O AMOR E O ÓDIO
-
Eco
(Maya Lopez). Dançarina e pianista surda, também se tornou
uma assassina graças a seus reflexos fotográficos. O ódio
ao Demolidor foi incutido pelo Rei do Crime.
-
Elektra (Elektra Natchios).
Namorada de Matt na faculdade, teve seu pai morto em um seqüestro político.
Elektra se tornou uma hábil e letal mercenária, até
que se envolveu com o Rei do Crime e o Tentáculo, quando reencontrou
Matt, agora como Demolidor. Assassinada pelo Mercenário, foi posteriormente
ressuscitada em cerimônia mística.
-
Mary Tyfoid (Mary Walker).
Nos primórdios de sua carreira, o Demolidor ficou frustrado por ter
aparentemente matado uma prostituta por acidente em um confronto com criminosos.
Essa prostituta sobreviveu, mas ficou com um sério distúrbio
de personalidade dupla: a frágil Mary contra a amoral Mary Tyfoid.
DOS MAIS TOSCOS AOS MAIS LETAIS
-
Arauto da Morte (Phillip
Sterling). Nascido em família abastada, usava uma máquina
de teleporte em seus crimes. Após uma explosão, passou a ficar
intangível. Morreu ao se solidificar em uma lápide.
-
Bazuca (? Simpson). Supersoldado
com nível de força acima do normal, provavelmente decorrente
de pílulas especiais. Atacou a Cozinha do Inferno e acabou morrendo.
-
Bullet. Ex-agente da CIA,
com nível de força acima do normal. Atua como mercenário.
-
Coração
Negro. Filho de Mefisto, procurava formar seu próprio domínio
infernal. Uniu-se ao Clube do Inferno após ficar preso por um encantamento
ao prédio dessa entidade.
-
Coruja
(Leland Owlsley). Chefão do crime que usava originalmente um soro
que lhe permitia flutuar, além de garras metálicas. Posteriormente,
sofreu mutações inexplicadas para ficar mais "aviário"
e acabou preso em uma dimensão infernal, junto com Mocassino.
-
Entidade Infernal. Duplicata
do Demolidor criada por Magus durante o crossover Guerra Infinita. Morreu
personificando Matt Murdock.
-
Gladiador. Houve dois
Gladiadores: o primeiro (Melvin Potter) se regenerou e se tornou alfaiate.
O segundo foi engolido pela dimensão infernal, junto com Mocassino.
Ambos tinham distúrbios ilusórios, e acreditavam ser gladiadores
romanos.
-
Guerrilheiro. Ex-agente
da CIA, tornou-se um caçador de mutantes. Seu braço direito
pode se transformar em um rifle, graças a um implante cibernético.
-
HIDRA. Grupo subversivo
internacional, arquiinimigo da SHIELD, e formado por antigos nazistas.
-
Homem-Púrpura
(Zebediah Killgrave). Ex-espião iugoslavo, foi alterado artificialmente
para que seus feromônios tornassem quem respirasse sugestivo a comandos
vocais. O Homem-Púrpura já morreu uma vez, mas como controla
quem quiser, isso aparentemente foi uma ilusão.
-
Homem-Sapo (Vincent Colorito
Pattilio). Antigo vilão que saltava graças a molas hi-tech.
Está aposentado, mas seu filho quer ser super-herói com o
antigo uniforme.
-
Justiceiro (Frank Castle).
Ora inimigo, ora aliado do Demolidor, o Justiceiro é um veterano
da Guerra do Vietnã que teve a família assassinada em um fogo-cruzado
entre bandos do crime organizado. Jurou vingar a família matando
todos os bandidos.
-
Maggia. É a correspondente
da Máfia italiana na Marvel.
-
Mercenário
(Ben Poindexter). Mercenário que consegue transformar qualquer coisa
em arma fatal, além de ter uma pontaria infalível. Após
matar Elektra, ficou tetraplégico ao enfrentar o Demolidor. Recuperou
sua capacidade após um tratamento com adamantium, que tornou seus
ossos inquebráveis.
-
Metalóide (Wilbur
Day). Wilbur desenvolveu um par de "pernas de pau" extensíveis
hidráulicas. Além desse equipamento, também usa uma
pistola de gás. Foi engolido pela dimensão infernal, junto
com Mocassino.
-
Mocassino (Lawrence Chesney).
Inspirado em um fictício herói de pulps (um misto de Sombra
e Doc Savage), Chesney desenvolveu uma armadura que lhe concedia nível
de força aumentado e invulnerabilidade a balas, mas voltou-se para
o crime. Morreu eletrocutado e depois voltou como um agente infernal, com
poderes demoníacos. Ficou preso na dimensão infernal.
-
Polichinelo (Jonathan
Powers). Ex-ator shakespeareano, Powers voltou-se para o crime, usando armas
insólitas como io-iôs e bolas de gude. Está aparentemente
regenerado.
-
Rei do Crime (Wilson
Fisk). Maior chefe do submundo de Nova York. Suas atividades alcançam
o mundo todo.
-
Senhor Hyde (Calvin Szabo).
O dr. Szabo descobriu que a fórmula biotransformadora do livro O
Médico e o Monstro realmente funcionava, e se tornou a versão
real do monstruoso e superforte Hyde.
-
Senhor Medo. Houve quatro
Senhores Medo até hoje, que usavam pistolas de gás do medo
e hovercrafts aéreos. Um deles se tornou Mecanus (atual inimigo do
Capitão América). O último deles chama-se Alan Fagan.
Mas de alguma forma, esse equipamento está sendo usado pela vilã
Insônia.
-
Tentáculo. Culto
maligno de ninjas, que surgiu como desmembramento da divisão japonesa
da Hydra. Recebe energias místicas da entidade Besta-Fera. Tem uma
ligação com a Yakuza.
-
Trio Profano. Dissidentes
dos Ani-Men, grupo de indivíduos alterados artificialmente pela Maggia
para ganharem poderes animais. O trio é composto de Homem-Gorila,
Homem-Pássaro e Homem-Gato. Já houve dois Homens-Pássaro,
ambos mortos.
Principais
autores e artistas
Stan Lee: O criador do personagem, introduziu
dois dos seus maiores coaduvantes, Frankiln "Foggy" Nelson e Karen
Page. Stan colocava o Demolidor como um acrobata que fazia piadinhas enquanto
enfrentava vilões como o Senhor Medo, o Polichinelo, os Executores e
o Matador. Basicamente, era um Homem-Aranha sem os grandes poderes.
Bill Everett: Criador de Namor, o Príncipe
Submarino, Everett assumiu a tarefa de criar o visual de Matt Murdock. Ele apenas
ilustrou o primeiro número, mas está creditado como co-criador
do Homem sem Medo.
Gene Colan: Com sua arte vibrante e cheia de
sombras e contrastes, Gene Colan foi o artista mais importante do personagem,
que não possuía desenhistas fixos até então. Cenas
de luta em estilo noir, layouts dinâmicos marcaram as fases desse desenhista
pelo personagem. Colan desenhou o personagem nos anos 60 e depois voltou por
um breve período nos anos 90, ilutsrando as histórias de Joe Kelly.
Marv Wolfman: Considerado um sucesso pela série
Tomb of Dracula, Wolfman entra pro hall da fama por criar um dos mais mortíferos
e significantes adversários do Demolidor; o Mercenário, que chegou
a ser usado no primeiro filme do herói.
Frank
Miller: O maior e mais influente criador a assumir o título. Inicialmente,
Miller apenas ilustrava, mas seus excelentes desenhos e sua atmosfera sombria
retiraram o estigma do personagem de ser uma cópia de segunda do Homem-Aranha
e evitaram que seu título seja cancelado. Miller, após alguns
números, se desentendeu com o então roteirista Roger McKenzie
e assumiu sozinho os roteiros e a arte, fato incomum para a época, em
1979. Miller então terminou com os supervilões e passou a colocar
o Demolidor em um novo contexto, mais voltado ao crime organizado e aos bandidos
de rua. Criou outra personagem extremamente influente, a sensual Elektra, aproveitou
todo o potencial do Rei do Crime, na época um bandido menor do Aranha,
criou o Tentáculo, e voltou a jogar o Mercenário como potencial
ameaça.
O Demolidor então passou a se tornar
um título classe A da Marvel e a influência de Frank Miller no
título eclipsou e eclipsa até hoje todas as versões que
se seguiram. Miller retornou ao título mas uma vez pra contar a história
definitiva da derrocada do personagem, "Born Again", intitulada no
Brasil "A Queda de Murdock". Outras obras de Miller com o personagem
foram Homem sem Medo(mini-série em 5 edições que reconta
a origem do herói), Amor e Guerra (graphic novel em parceria com Bill
Sienkiewicz) e Elektra Vive, onde começou a usar seu estilo mais atual
de desenho.
David Mazzuchelli: Após a primeira saída
de Miller do título, o editor Denny O'neil assumiu o título, o
que se provou ser uma dantesca tarefa, mas ele se pareou com o excelente David
Mazzuchelli, cujo estilo lembrava Miller. Com seu storytelling, senso de design
e uso de contrastes, Mazzuchelli permaneceu no título mesmo quando O'Neil
não estava á frente dos roteiros e ainda provocou o retorno de
Miller ao título para "A Queda de Murdock", pois este queria
trabalhar com Mazzuchelli.
Ann
Nocenti: Nocenti assumiu o título um tempo após a Queda de Murdock,
e mudou o foco das histórias para mais metafísica e psicologia,
criou a assassina esquizofrênica Mary Tyfoid e tornou a vida do Demolidor
um inferno, literalmente. A arte, em sua maioria, ficou por conta do brilhante
John Romita Jr, que experimentou uma mudança de estilo no qual usa até
hoje.
Dan G. Chichester: O escritor que assumiu após
Nocenti trouxe de volta as histórias mais policiais. Chichester criou
histórias marcantes como a Queda do Rei e Caindo em Desgraça,
onde basicamente usou muitos dos conceitos deixados por Miller, reviveu Elektra,
deu ao herói um novo uniforme (moda nos anos 90), trouxe de volta os
Virtuosos, o Tentáculo, derrubou o Rei do Crime e acabou com a identidade
de Matt Murdock, botando o foco no Demolidor como um guerrilheiro. A arte ficou
por conta de Lee Weeks, inicialmente e depois Scott McDaniel, que tinha reminescências
de Joe Quesada e Frank Miller.
Karl Kesel: Cansado dos rumos sombrios que o
título havia tomado, Kesel assumiu o título colocando mais humor
nas histórias, trazendo de volta Matt Murdock como identidade do herói,
reestabelecendo Karen Page, enfatizando o nome "Daredevil" (ousado,
intrépido, audaz) e botando supervilões de volta à série.
A nova abordagem, ilustrada por Cary Nord, teve um relativo sucesso, mas Kesel
não permaneceu muito tempo no título, sendo substuído por
Joe Kelly, que não teve um desempenho tão bom.
Kevin
Smith e Joe Quesada: Querendo alavancar as vendas de seus títulos, a
Marvel contratou os artistas Joe Quesada e Jimmy Palmiotti para juntos assumirem
a edição de uma linha mais refinada, que viria a ser chamada de
Marvel Knights. Entre esses títulos, estava o do Demolidor. Mais que
depressa ambos tomaram as rédeas da arte e chamaram o cineasta Kevin
Smith, responsável por filmes como O Balconista, Dogma e Procura-se Amy.
Enfocando mais no aspecto religioso do herói, a nova equipe criativa
alçou as vendas do título à estratosfera e fizeram mudanças
significativas, como matar Karen, mesmo em apenas 8 edições. Quesada
permanceu no título mais alguns números, e Smith está elaborando
uma mini-série chamada Target.
Brian Michael Bendis: Atual escritor do herói,
faria apenas um arco após seu amigo David Mack, que iria ilustrar. Nesse
meio tempo, como a revista atrasava, Bendis sugeriu uma mini, Daredevil Ninja.
A boa aceitação de ambas histórias e a ascensão
de Bendis dentro da Marvel como superstar, por causa do megasucesso Ultimate
Spider-Man, garantiu a ele e ao ilustrador búlgaro Alex Maleev o título
permanentemente. Desde sua entrada no título Bendis revelou a identidade
do personagem ao mundo e está preparando ainda outras surpresas que veremos
no título mensal da Panini, Demolidor.
E FIQUE LIGADO! DURANTE O MÊS DE MARÇO,
MAIS MATÉRIAS SOBRE O HOMEM-SEM-MEDO. NÃO PERCA!